Sábado, 03 de maio de 2025
Por Redação O Sul | 5 de fevereiro de 2023
A discussão sobre o tempo em que abusos emocionais se tornam evidentes para as vítimas e os limites de uma relação foi reativada neste ano pela edição de 2023 do programa “Big Brother Brasil [BBB]”, exibido pela Rede Globo. Sob os olhares de milhões de telespectadores, as brigas entre o casal Gabriel Tavares e Bruna Griphao alcançaram repercussão em uma semana.
O apresentador Tadeu Schmidt deu um puxão-de-orelhas ao vivo no modelo, depois que este falou que a atriz “já já tomaria umas cotoveladas na boca”. Por sua vez, o rapaz (que seria mais tarde eliminado da atração pela votação do público) fez um mea-culpa assim que foi advertido, ainda dentro da casa.
A decisão dos produtores “BBB” de intervir no relacionamento entre Bruna e Gabriel foi bem recebida pelo público. Vale lembrar um outro caso no mesmo programa televisivo: há cinco anos, o participante Marcos Harter foi expulso após agredir Emily Araújo sua namorada na casa.
Hoje ela admite que assistir às cenas recentes lhe fizeram reviver a experiência passada: “Ter revivido essa cena depois de anos foi horrível, fiquei sem dormir”.
Para conter a escalada de agressões e o ciclo de violência, é fundamental a rapidez em identificar relação abusiva. Mas fora de um reality show, muitas vítimas levam tempo até se perceberem enredadas por um comportamento tóxico – e, principalmente, darem um “basta”.
Primeiros sinais
A presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, Jacqueline Valadares, explica que dificilmente o agressor é abusivo no início: “Ele começa tranquilo e gradativamente apresenta atitudes controladoras e que visam a minar a autoestima da vítima. Tira a mulher do contato com outras pessoas até deixá-la isolada e vulnerável. É neste momento que começam as violências”.
Menosprezo e controle excessivo são alguns sinais que devem fazer a mulher acender o sinal vermelho, reforça a delegada: “No caso do BBB, chama a atenção o menosprezo pela Bruna, a busca por diminuí-la. Falar em dar uma cotovelada pode configurar crime de ameaça. A gente não pode banalizar esse tipo de frase”.
Assim como uma ameaça pode surgir encoberta por uma “brincadeira”, o controle pode ser confundido com cuidado. Como o machismo faz das mulheres os principais alvos de violências em relacionamentos abusivos, chegando a casos extremos de feminicídios, o Brasil aprovou a Lei 11.340, conhecida como “Maria da Penha”, em agosto de 2006, para proteger vítimas deste tipo de agressão.
A denominação é uma homenagem à farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes, que se tornou ativista no combate à violência contra a mulher após sofrer tentativas de homicídio pelo marido nos anos 1980 e ficar paraplégica.