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Economia Relógios, obra de arte, restituição: o que o Imposto de Renda de Daniel Vorcaro revela sobre o dono do Banco Master

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Vorcaro é apontado pela Polícia Federal como alguém que aumentou seu patrimônio por meio de operações financeiras fraudulentas ao menos desde 2019. (Foto: Reprodução)

As declarações de Imposto de Renda do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelam um empresário que precisou de oito anos para juntar o primeiro bilhão e de mais dois para dobrar esse patrimônio.

Alvo de uma investigação por fraude bilionária contra o sistema financeiro, Vorcaro é apontado pela Polícia Federal como alguém que aumentou seu patrimônio por meio de operações financeiras fraudulentas ao menos desde 2019 – ano em que se tornou dono do Banco Máxima, rebatizado para Master em 2021.

O Imposto de Renda do banqueiro mostra uma declaração de bens de R$ 2,8 milhões em 2015 contra outra de R$ 2,6 bilhões em 2024, conforme a documentação entregue por ele ao Fisco em 2025. Os valores são nominais, sem correção monetária.

A prestação de contas ao Fisco mais recente mostra que no ano em que o Master começou a enfrentar dificuldades financeiras e passou a ser negociado no mercado, Daniel Vorcaro declarou uma renda anual de R$ 569 milhões e recebeu R$ 28.764,97 de restituição de IR.

As informações foram enviadas pela Receita Federal à CPI do INSS e obtidas pelo Estadão. A comissão apura o enriquecimento do banqueiro e a relação do Master com fraudes em empréstimos consignados, um dos escopos da CPI.

Os dados da Receita indicam que, entre 2017 e 2025, Daniel Vorcaro comprou 13 imóveis em São Paulo e Minas Geras com um valor total de alienação de R$ 191 milhões. Dez deles foram adquiridos à vista.

As declarações ao Fisco também mostram uma evolução no patrimônio de Daniel Vorcaro em joias, relógios e obras de arte. Em 2017, ele declarou um patrimônio de R$ 1,2 milhão com esses tipos de itens. Em 2023 e 2024, foram R$ 47 milhões.

Em 2024, o banqueiro declarou ter comprado três carros, todos da marca Land Rover, por R$ 196 mil, R$ 375 mil e R$ 410 mil. Ele informou ter vendido outro, também da Land Rover, por R$ 399 mil.

Preso desde o último dia 4, o dono do Master declarou à Receita Federal que possuía R$ 1.386.000 em dinheiro em espécie em dezembro de 2023, quando declarou R$ 1,4 bilhão em total de bens.

Ao longo do ano seguinte, ele gastou o dinheiro. No fim do ano, informou ao Fisco que o montante em espécie que guardava era R$ 250 mil.

Segundo o documento de 2025, Vorcaro declarou ter recebido R$ 1,17 milhão como remuneração do Banco Master em 2024, sendo que foram retidos na fonte R$ 307,6 mil. O banqueiro declarou ter R$ 431 mil em rendimentos não tributáveis e pagou R$ 124,5 milhões sobre ganho de capital.

Vorcaro informou ainda ter adquirido ações de uma empresa com sede nas Ilhas Cayman no valor de R$ 276 mil em 2024.

Dívidas

De 2024 para 2025, as dívidas declaradas pelo banqueiro ao Fisco passaram de R$ 199,1 milhões para R$ 920,6 milhões – sendo a maior parte deste valor, R$ 650 milhões, com Maurício Quadrado, sócio do Master entre 2020 e 2024.

O valor se refere à cisão da Banvox Holding, criada por Vorcaro e Quadrado em 2020 e investigada na Operação Carbono Oculto por suposta ligação com o crime organizado. A Polícia Federal também suspeita que a Banvox tenha sido o canal usado por fundos do empresário Nelson Tanure para capitalizar o Master.

A Banvox detinha 22% do Master e, em agosto do ano passado, após uma cisão parcial, transferiu essa participação para a DV Holding, criada por Vorcaro, que comprou as ações da empresa por R$ 65O milhões a prazo.

O banqueiro declarou ainda uma dívida de R$ 100 milhões com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro no Master e dono do Banco Pleno, também liquidado pelo Banco Central. O valor se refere à recompra de ações do Master que eram de Lima após sua saída do banco.

A investigação

A Polícia Federal investiga, com a Operação Compliance Zero, um suposto esquema de fraude contra o sistema financeiro baseado na emissão e negociação de ativos sem lastro real.

A suspeita é que o banco vendesse títulos e carteiras de crédito que prometiam retornos elevados, mas que não tinham garantias efetivas de pagamento.

A investigação detectou indícios de que o Master vendeu R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ao BRB, o banco público do Distrito Federal, e entregou documentos falsos ao Banco Central para tentar justificar o negócio.

O Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado. O colapso do conglomerado já gerou um custo de ao menos R$ 56 bilhões para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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