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Política Remoção de delegados que assessoram ministros de tribunais superiores ordenada por Lula reativa suspeita de uso da Polícia Federal como instrumento de pressão sobre adversários e proteção de aliados

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Governo afirma que a medida faz parte de uma reorganização administrativa da Polícia Federal. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

Conforme informações de O Estado de S. Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria participado de uma articulação para retirar da Polícia Federal (PF) delegados que atuam em órgãos públicos e, principalmente, no Judiciário. A medida reacendeu suspeitas sobre uma possível utilização da corporação como instrumento de pressão sobre adversários e proteção de aliados.

O principal alvo seria o delegado federal Thiago Marcantonio Ferreira, que atua no gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e auxilia na relatoria de investigações consideradas sensíveis para o governo e o Congresso, como as fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o caso envolvendo o Banco Master.

A justificativa oficial seria reforçar o combate ao crime organizado, mas a explicação foi questionada por críticos da decisão. Meses antes, Lula havia afirmado que determinou o retorno de delegados da PF cedidos a outros órgãos, alegando que alguns estariam “fingindo trabalhar”. A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal informou, na ocasião, que apenas 53 delegados estavam cedidos, menos de 3% do efetivo da corporação.

O caso gerou questionamentos porque envolve a estrutura de apoio a investigações que atingem pessoas ligadas ao governo e ao Congresso. Críticos apontam que fraudes contra aposentados, desvios de recursos públicos e crimes financeiros também fazem parte do chamado crime organizado, o que colocaria em dúvida o argumento apresentado para a mudança.

A retirada de servidores que auxiliam ministros responsáveis por investigações relevantes passou a ser interpretada como possível interferência na autonomia das apurações. O episódio ganhou ainda mais repercussão por ocorrer em um período de preparação para as eleições, aumentando o debate sobre o uso de estruturas do Estado para fins políticos.

O governo afirma que a medida faz parte de uma reorganização administrativa da Polícia Federal. O caso, porém, reacendeu a discussão sobre a necessidade de garantir independência às instituições e confiança pública na condução de investigações. (Opinião/O Estado de S. Paulo)

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