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Renan sabe tudo

Renan Calheiros

A 25 de abril de 2006, o presidente do Senado, Renan Calheiros, mandou arquivar o requerimento de criação da CPI do Lula. O documento apresentado pelo PMDB tinha 35 assinaturas e 27 seriam suficientes. Deveria investigar a destinação de verbas suspeitas do Sebrae e negócios de Fábio Lula da Silva, filho do presidente.

Na sequência, foram protocolados cinco pedidos de cassação contra Renan no Conselho de Ética. Dois deles prosperaram e foram ao plenário para decisão final. O governo não se negou a retribuir: com a ajuda de parlamentares da base, a maioria em votação secreta absolveu o peemedebista. Para evitar maiores danos à imagem, Renan renunciou à presidência.

A partir de agora, o ritmo de votação do impeachment depende do presidente Renan, o resistente. Em seu terceiro mandato como senador, conhece como poucos os meandros do regimento interno e não costuma abandonar os verdadeiros amigos em horas difíceis.

É ALVO

O único temor de Renan é a existência de sete inquéritos abertos contra ele pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e que estão no Supremo Tribunal Federal. Todos relacionados com a Operação Lava Jato.

UM DIA DEPOIS DO OUTRO

O PT confiava que Lula pudesse virar o jogo do impeachment na Câmara dos Deputados. Falhou, mesmo com todos os poderes delegados pelo Palácio do Planalto para negociar. Alguns parlamentares se negaram a atender telefonemas dele. Quatro tinham obtido grandes favores ao tempo em que era o poderoso presidente da República.

Com os senadores, Lula fará novo teste de sua influência.

NEM MAIS UM CENTAVO

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf, afirmou ontem, após reunião no Palácio do Jaburu, que o vice-presidente da República, Michel Temer, é contra o aumento de impostos.

Não faltam motivos. O Brasil é o País que tem a maior carga tributária na América Latina e Caribe, como concluiu relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. O agravante é que os recursos canalizados para os cofres públicos não retornam de forma satisfatória à população. Em meio a isso, navegam a corrupção, a ineficiência política, os gastos exagerados e a burocracia que emperra quase tudo.
POR QUE SERÁ?

Os dados são do Ministério do Trabalho: em março, o Brasil perdeu 118 mil 776 vagas formais de emprego. O pior resultado desde 1992. A CUT não deu uma palavra.

PARA EVITAR QUEDA NA PRODUÇÃO

A Assembleia Legislativa deverá aprovar amanhã projeto que exclui pequenas propriedades rurais de demarcações de terra em benefício de comunidades indígenas e de descendentes de quilombolas.

Segundo o censo do IBGE, 84 por cento das áreas de cultivo do país são mantidos pela agricultura familiar. Esse percentual abrange 4 milhões e 300 mil unidades, responsáveis por 77 por cento da produção de alimentos.

 

RÁPIDAS

* Tesoureiros de partidos acham que não haverá dinheiro para os vencedores nas próximas eleições sequer comprarem foguetes.

* Quatro mulheres entram na disputa do cargo de primeira-secretária da ONU. São da Croácia, da Moldávia, da Nova Zelândia e da Bulgária.

* O que sobrou para a população: pagar o café amargo da festa superfaturada.

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