Sábado, 28 de março de 2026
Por Gisele Flores | 21 de março de 2026
Apaes no RS atende cerca de 5 mil alunos na educação até o 5º ano. Na assistência social, são 30 mil atendimentos mensais e na saúde 60.000 atendimentos mês.
Foto: Eduardo Fernandes
O movimento apaeano no Rio Grande do Sul vive um momento de inflexão. Em 2026, 65% das Apaes do RS passam a ser presididas por novas lideranças, todas voluntárias, todas assumindo a gestão em um cenário de demandas crescentes por serviços de educação, saúde e assistência social. Ao todo, 136 das 206 entidades estão sob nova direção — muitas delas conduzidas por pais e mães que transformaram a experiência pessoal em compromisso público. A renovação, mais do que administrativa, revela uma mudança geracional e cultural dentro da rede.
Esse processo foi o eixo central do Encontro de Presidentes das Apaes do RS, promovido pela Feapaes-RS nesse sábado (21), no auditório do Prédio 50 da PUCRS, em Porto Alegre. O evento reuniu dirigentes de todas as regiões do estado para um dia de formação, integração e alinhamento estratégico. A data carregava simbolismo: além de marcar os 33 anos da Federação, celebrados em 19 de março, coincidiu com o Dia Internacional da Síndrome de Down, reforçando o compromisso histórico do movimento com a inclusão e a defesa de direitos.
Protagonismo feminino e novas perspectivas de gestão
Entre os novos presidentes eleitos para o triênio, 118 são mulheres. O dado, que poderia parecer apenas estatístico, traduz uma mudança relevante no perfil das lideranças. As Apaes, historicamente sustentadas por redes de cuidado majoritariamente femininas, agora veem esse protagonismo refletido também na tomada de decisão.
Para o presidente da Feapaes-RS, Marco Antonio Moresco, a renovação representa mais do que uma troca de nomes: “Vivemos uma renovação importante, com lideranças que chegam com novas ideias e novo ânimo. Quem é pai e mãe sabe: temos sonhos para os nossos filhos e queremos que tenham oportunidades”.
A fala sintetiza o caráter singular do movimento, no qual gestão e afeto caminham lado a lado.
Uma rede que sustenta milhares de atendimentos
A dimensão social das Apaes no estado é expressiva. Atualmente, cerca de 5 mil alunos são atendidos na educação até o 5º ano. Na assistência social, são 30 mil atendimentos mensais, enquanto a área da saúde ultrapassa 60 mil atendimentos por mês.
Esses números, que em relatórios aparecem como indicadores, representam na prática famílias inteiras que dependem da continuidade e da qualidade dos serviços. A renovação das lideranças, portanto, não é apenas um dado institucional — é um ponto de inflexão para milhares de pessoas.
Formação, desafios e o futuro do movimento
A programação do encontro incluiu palestras, painéis e debates sobre gestão, legislação e as três áreas de atuação das Apaes. Um dos momentos mais marcantes foi a palestra “Histórico, Propósitos e Desafios do Movimento Apaeano”, ministrada pelo presidente da Apae Brasil, Jarbas Feldner de Barros.
“Chegamos pela dor, mas ficamos pelo amor”, afirmou ele, sintetizando o espírito que move o voluntariado apaeano.
A frase ecoou entre os participantes, especialmente entre os recém-eleitos, que agora assumem a responsabilidade de conduzir instituições que, em muitos municípios, são referência única em atendimento especializado.
Histórias que revelam a essência do voluntariado
Entre os novos dirigentes, a trajetória de Noemi Radtke, 68 anos, presidente da Apae de São Lourenço do Sul, chamou atenção. Voluntária de longa data, ela agora lidera uma instituição que atende 106 pessoas, de seis meses a 76 anos.
“O voluntariado, quando a gente se envolve de verdade, leva para a vida toda”, afirmou.
O depoimento sintetiza a força silenciosa que sustenta o movimento: pessoas que dedicam tempo, energia e afeto sem esperar retorno financeiro — apenas impacto social.
Sustentabilidade e parcerias estratégicas
O encontro também destacou a importância das parcerias institucionais, como o apoio do Trilegal, da Aplicap e da MDM8, além de recursos provenientes de emendas parlamentares. Em um cenário de demandas crescentes e orçamento limitado, essas alianças são fundamentais para garantir a continuidade dos atendimentos e a expansão dos serviços. (Por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)
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