Sábado, 30 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 26 de setembro de 2017
O publicitário Francisco de Assis Neto, réu da Operação Lava-Jato no Rio de Janeiro, conseguiu um novo emprego como diretor de marketing e vai trabalhar em uma empresa de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A Mar Aberto Distribuidora de Móveis e Material de Informática LTDA contratou Kiko, como é conhecido o publicitário, por R$ 9,5 mil.
A defesa do publicitário comunicou ao juiz da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, Marcelo Bretas, sobre o novo emprego do cliente e apresentou cópia da carteira de trabalho. A data de admissão que consta no documento é 1º de setembro.
Conforme o jornal O Globo, antes da Operação Eficiência, Kiko tinha sua própria agência, chamada Corcovado Comunicação, que funcionava em uma sala na Rua Nilo Peçanha, no Centro do Rio. O endereço é citado na lista apontada pelos doleiros de Renato e Marcelo Chebar como um dos locais onde foi entregue dinheiro do esquema do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB). De acordo com o Ministério Publico Federal (MPF), o ex-assessor aparecia nas planilhas do grupo que operava o suposto esquema de corrupção com os apelidos “Zambianke” ou “Zambi”, em uma referência ao cantor Kiko Zambianchi.
No documento apresentado à Justiça, os advogados de Kiko afirmam que o cliente reitera o desejo de colaborar com a tramitação do processo e que cumprirá todas as medidas cautelares estabelecidas.
Kiko foi solto em agosto por decisão da 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ex-subsecretário no governo Sérgio Cabral e coordenador da campanha de 2014 do deputado federal Marco Antonio Cabral (PMDB), Kiko estava preso desde fevereiro deste ano, quando se entregou após voltar do exterior. O nome do publicitário surgiu na Operação Eficiência, a mesma que prendeu o empresário Eike Batista, deflagrada em janeiro. Kiko tem aproveitado a liberdade. De acordo com a revista Veja, o publicitário foi visto na área VIP do Rock in Rio na última sexta-feira, assistindo ao show do Bon Jovi na varanda do espaço.
Suposto aliado de Cabral
O publicitário é réu no processo da Operação Eficiência, acusado de integrar a suposta organização criminosa comandada por Cabral e de lavar R$ 7,7 milhões que teriam sido disponibilizados pelos doleiros Marcelo e Renato Chebar.
Em depoimento à Polícia Federal, Kiko afirmou que repasses, em espécie, foram feitos à campanha de Marco Antonio, filho do ex-governador, à Câmara, em 2014. Os valores seriam disponibilizados por Carlos Miranda, apontado como operador financeiro do esquema.
A ministra relatora do habeas corpus, Maria Thereza de Assis, proibiu Kiko de deixar o país e determinou o recolhimento do passaporte do publicitário. A 6ª turma do STJ entendeu que o ex-subsecretário não trazia riscos à investigação. Embora não esteja em prisão domiciliar, a defesa de Kiko protocolou no processo o endereço em que ele se encontra, em Niterói.
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