Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 20 de maio de 2023
A reunião do G-7 em Hiroshima, no Japão, é a primeira de uma série de cúpulas que ocorrem nos próximos meses e nas quais americanos e europeus se prepararam para uma “batalha de ofertas” global com Pequim e Moscou para reequilibrar a disputa por influência global. Uma competição pelos corações e mentes de países emergentes se aprofunda e envolve Brasil, Vietnã, África do Sul, Índia e Cazaquistão. O duelo é uma resposta à tática chinesa e russa de oferecer a esses países investimentos em infraestrutura, transferência de tecnologia, insumos agrícolas e até mesmo venda de armas.
Para isso, americanos e europeus querem oferecer melhores relações bilaterais, colaboração em projetos de infraestrutura e planos de ação sob medida para cada país identificado como parceiro relevante para o Ocidente. Em outras palavras, o G-7 quer deixar de focar sua abordagem em valores políticos para apostar em ofertas que possam aportar riqueza e desenvolvimento para os emergentes.
“É importante darmos opções aos países no nosso Hemisfério e em todo o mundo”, afirmou o secretário-assistente de Estado americano para o Hemisfério Ocidental, Brian Nichols. “Os EUA precisam dar visão e perspectiva claras a respeito do que eles podem fazer para ter economias bem-sucedidas e ao mesmo tempo ressaltar que algumas das promessas que países como a China fazem não estão sendo cumpridas.”
Enquanto o presidente Joe Biden participa do G-7 em Hiroshima, o presidente Xi Jinping organiza uma Cúpula China-Ásia Central, na cidade chinesa de Xi’an.
Em julho, o presidente Vladimir Putin receberá líderes africanos em sua cidade-natal, São Petersburgo, fundamentado nos esforços de Moscou em culpar as sanções do Ocidente — sem evidências — em vez da invasão russa à Ucrânia pela inflação nos preços da energia e a escassez de grãos que castigaram duramente as nações africanas mais pobres.
Então, em agosto, os líderes do grupo dos Brics, que envolve Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, se encontrará em Johannesburgo, com uma expansão prevista para incluir possivelmente 19 novos membros e a exequibilidade da introdução de uma moeda comum na agenda. Ambos os tópicos são trunfos para a China, a primeira a propor aumentar o clube e favorecer uma alternativa ao dólar americano entre as nações do Brics.
Há uma espécie de consenso em alguns países emergentes que o mundo mudou dramaticamente nos últimos anos e as potências ocidentais perderam a força que tiveram no passado para pressionar países em desenvolvimento. “As potências ocidentais precisam de nós mais do que nós precisamos delas”, disse um representante de um desses governos à Bloomberg.
Essas percepções estiveram em destaque na semana passada, quando o embaixador americano na África do Sul acusou Pretória de fornecer armas à Rússia — o que derrubou o valor do rand em relação ao dólar a uma baixa recorde — apenas para que ambos os lados logo se apressassem para arrefecer os ânimos. Enquanto a África do Sul tem sido convidada regularmente para as cúpulas do G-7, este ano o Japão convidou a União Africana, presidida atualmente por Comores, em seu lugar.
“Quando o presidente Biden falou, no início de seu mandato, a respeito de sua abordagem com base em valores, acho que ele tinha bastante dinheiro e estava atraindo bastante interesse”, afirmou em entrevista a ministra sul-africana de Relações Internacionais e Cooperação, Naledi Pandor, na semana passada, antes da rusga com os americanos. “Mas eu acho que a atual situação na qual eles se encontram, como parte principal deste conflito, dificulta o convencimento.”
Além da preocupação com a influência da China na Ásia, África e América Latina, o G-7 está especialmente preocupado com a Rússia e suas operações de desinformação e influência à exploração dos sentimentos anti-Ocidente no chamado “Sul Global”.
“Acho que gastamos cerca de dois terços do nosso tempo em temas de preocupação com o Sul Global”, afirmou o secretário de Estado americano, Antony Blinken, em 18 de abril, numa conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, anfitrião da cúpula do G-7, que visitou a África este mês.
A União Europeia tem um plano de ação para fortalecer as relações com quatro países-piloto: Brasil, Nigéria, Cazaquistão e Chile. Mas a tarefa aparenta ser árdua, especialmente na América Latina, onde os EUA estão perdendo parte de seu peso tradicional à medida que a China aumenta sua presença.
Para o presidente Rodrigo Chaves, da Costa Rica, um firme aliado dos EUA, Washington precisa “reequilibrar o nível de atenção” que está dando à região, onde a aliança “parece mais tênue do que nunca”, disse ele em entrevista. “Muito poucos países permanecem fortes aliados dos Estados Unidos”, disse ele.
O Brasil tornou-se uma espécie de termômetro, ainda mais quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca se reafirmar como um estadista global. Como parte de seu plano, a UE buscará relançar uma parceria estratégica com o Brasil, concluir um acordo comercial com o bloco do Mercosul e fortalecer a cooperação em segurança e defesa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo e da Agência Bloomberg.
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