Quinta-feira, 16 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 29 de julho de 2021
A prefeitura do Rio anunciou, nesta quinta-feira (29), um plano gradual de flexibilização das medidas de restrição na cidade. Serão três etapas, de 2 de setembro até 15 de novembro.
O anúncio também incluiu a programação para o réveillon e o carnaval e uma celebração de quatro dias com diversos eventos pela cidade, entre 2 e 6 de setembro – medida criticada por especialistas.
A primeira etapa, que prevê a reabertura de estádios e boates com 50% do público, depende de 77% dos cariocas já terem recebido a primeira dose da vacina contra a covid e 45%, a segunda dose.
No Rio, há quase 4 milhões de pessoas vacinadas (cerca de 73% da população adulta) com primeira dose, e 1.536.740 imunizados com as duas doses ou aplicação única.
Veja como será a liberação:
2 de setembro
— liberação de eventos em ambientes abertos;
— estádios: 50% do público com vacinação completa;
— boates, casas de shows e festas em áreas fechadas: 50% do público também vacinados com 1ª e segunda dose.
17 de outubro
— Estádios: 100% do público com vacinação completa;
— boates, casas de shows e festas em áreas fechadas: 100% do público com vacinação completa.
Os eventos terão checagem de situação vacinal das pessoas, com o aplicativo Conecte SUS, do Ministério da Saúde, segundo o secretário de Saúde, Daniel Soranz. Quem não tiver sido vacinado, será barrado.
15 de novembro
— uso de máscara obrigatório só no transporte público e em unidades de saúde;
— livre circulação, sem restrição de capacidade e distanciamento.
Festa
Segundo o prefeito do Rio, Eduardo Paes, a reabertura será acompanhada de uma celebração de quatro dias, entre 2 e 5 de setembro, em toda a cidade.
Paes disse que o planejamento é otimista e conservador ao mesmo tempo.
“Se houver necessidade, se o secretário de Saúde chegar para mim um dia e falar que não dá porque aumentou ou chegou uma nova variante, imediatamente a gente interrompe qualquer processo de abertura e pode impor novas medidas restritivas (…) Tudo indica, nesse momento, os dados, internações, óbitos, que a gente vive um momento melhor. Não é um momento ideal ainda, por isso as restrições continuam e a abertura é gradual”, disse.
Especialistas
Especialistas viram com cautela as medidas propostas e dizem que o comitê científico não foi consultado. A Secretaria Municipal de Saúde afirmou que só alguns membros foram ouvidos.
Para Roberto Medronho, infectologista e epidemiologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), liberar estádios para 100% a partir de outubro é “muito complicado”.
“O plano proposto pela prefeitura eu considero no minimo uma temeridade. Nós temos agora a variante delta no nosso país, e espalhando inclusive no Rio de Janeiro. Nós temos uma boa cobertura vacinal no município, mas não temos certeza de que a efetividade da vacina seja a mesma do que das cepas anteriores do vírus. Então, a briga, agora, nós podemos ter problemas de aumento da transmissibilidade da doença”, diz o infectologista.
A pneumologista Margareth Dalcomo, da Fiocruz, diz que entende a intenção da prefeitura, mas vê com preocupação as medidas:
“A intenção da prefeitura é a melhor possível no sentido de trazer um pouco de alegria no momento em que passou um ano e meio de muito luta, perda, tristeza, um impacto sobre toda a população, entendo que do ponto de vista de agregar, de fazer algo coletivo agradável sem duvida nenhuma. Alerto que isso tudo tem um risco, um risco que é razoavelmente calculado e um risco que é fora de controle, sem duvida nenhuma.”
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