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Por Redação O Sul | 30 de abril de 2019
Doze mulheres, em média, foram estupradas por dia no Estado do Rio de Janeiro em 2018. Ao todo, foram mais de 4,5 mil casos registrados pela polícia. O dado foi apontado a partir do Dossiê Mulher, estudo feito todos os anos pelo ISP (Instituto de Segurança Pública).
O levantamento mostra ainda que quatro mulheres foram vítimas de lesão corporal a cada 24 horas. Em relação ao crime de ameaça, 2018 teve uma média de quatro vítimas por dia.
A presidente do Instituto de Segurança Pública, delegada Adriana Mendes, afirmou que o número de estupros em 2018 foi o maior desde 2015. De acordo com ela, cerca de 70% das vítimas eram mulheres menores de 17 anos.
“Comparando o número de estupros com os dados de 2017 e 2018, nós observamos um aumento. É importante ressaltar que cerca de 70% das vítimas eram menores de idade, e grande parte desses crimes ocorre no interior da residência por pessoa que, de alguma forma, participa do convívio das vítimas”, disse a presidente.
Quatro mulheres são agredidas por hora no RJ
A pesquisa aponta ainda que 70% dos agressores eram pessoas do convívio da vítima e em 60% dos casos a violência aconteceu dentro de casa.
A diretora da DPAM (Divisão de Polícia de Atendimento à Mulher), delegada Juliana Emerique, afirmou que a cultura de que “em briga de mulher, não se mete a colher” tem que ser modificada.
“A subnotificação sempre foi um grande problema no que tange a violência contra a mulher. A mulher se sente fragilizada, com vergonha. A gente tem que quebrar esse estigma e vários ditos populares como ‘em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher’. Pelo contrário, hoje em dia o consenso é que em briga de marido e mulher, a sociedade mete a colher. E a polícia tem o dever de agir”, disse a delegada.
Quase uma morte por dia
O documento de 2018 mostra que 350 mulheres foram vítimas de homicídios dolosos no RJ. Desse total, 59% das vítimas era negra (parda ou preta). As mulheres brancas foram 33% do total de vítimas, e 8% não teve a cor definida.
Ainda sobre o perfil da vítima, 36% das mulheres vítimas de lesão corporal está na faixa etária de 30 a 59 anos; em seguida, está o grupo que tem 18 a 29 anos com 28%.
Feminicídio
De acordo com o Dossiê Mulher, 71 mulheres foram vítimas do feminicídio no Estado em 2018. Mais de 62% dessas mortes ocorreram dentro da residência das vítimas e mais de 56% dos crimes foram cometidos pelos companheiros e ex-companheiros das vítimas.
O feminicídio evidencia a predominância das relações de gênero hierárquicas e desiguais, afirmam especialistas. Ele é a representação da última etapa da violência contra uma mulher: a morte. Antes, percorre um caminho passa pela posse, xingamentos, agressões psicológicas, verbais e físicas.
O relatório enfatiza que 71 é o número de homicídios contra mulheres cometidos no ano passado que foram formalmente qualificados como feminicídio. Chegou ao total de 350 o número de mulheres assassinadas no Estado ao longo de 2018. Dessas, 12,3% foram cometidos por companheiros ou ex-companheiros.
Violência dentro de casa
Os números revelam que a cada três dias uma mulher foi vítima de homicídio doloso dentro de sua própria casa no Estado do Rio de Janeiro. Das 350 mulheres assassinadas, 120 foram mortas dentro de suas casas, onde deveriam estar mais protegidas.
Muitas mulheres sobrevivem à morte e sofrem outros tipos de abusos, e, assim, tornam-se dependentes de políticas públicas de proteção e, por isso a necessidade de que a política, a Justiça e polícia atuem de forma coordenada e célere para evitar ainda mais mortes.
Em 2018, 275 mulheres foram sofreram tentativa de feminicídio. Deste total, 63,5% dos autores eram companheiros ou ex-companheiros das vítimas e 52% do total ocorreu dentro de casa.
Ao todo, durante o ano passado, segundo o Dossiê, 24.882 mulheres foram agredidas fisicamente no Estado. Mais de 60% dos casos também dentro de casa.
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