Terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 23 de fevereiro de 2026
Estudo produzido pelo Banco do Brasil projeta para o Rio Grande do Sul uma alta de 4,6% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. Se confirmado, o índice colocará o Estado no topo do ranking nacional de crescimento econômico no ano, com desempenho superior ao dobro da médida nacional (2%). A previsão é puxada pelo desempenho do setor agropecuário, estimado em 16,5% no período.
Intitulado “Resenha Regional”, o relatório destaca o cenário de recuperação econômica após ciclos climáticos adversos, como a estiagem e as enchentes recordes de 2024. Esse movimento já foi destacado na edição de janeiro do “Boletim de Conjuntura” do Departamento de Economia e Estatística (DEE) da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG).
O documento elaborado pela pasta gaúcha menciona “um padrão observado após períodos de quebra de safra, quando a forte retomada da agropecuária funciona como o centro dinâmico da economia estadual”. Sublinha, aindam, que “nesse contexto o setor gera reflexos positivos imediatos sobre o comércio, a logística e a indústria de transformação”.
Conforme mencionado no início do texto, o pilar do avanço é a agropecuária, com alta projetada de 16,5%, muito acima da média nacional do setor (1%). A produção de grãos deve somar 8,2 milhões de toneladas adicionais, com destaque para a soja (expansão de 55,4%) e milho (19,9%).
Já o setor de serviços deve crescer 4,3% no Estado, superando amplamente a média brasileira (2,1%). De forma semelhante, na indústria a trajetória prevista para o ano também é de expansão, ainda que comparativamente menor (1,3%), beneficiada pela redução da taxa Selic e uma forte demanda por implementos agrícolas e bens de consumo.
Programas de apoio
O governo do Estado atribuiu a perspectiva otimista também a fatores como a execução de políticas públicas de suporte direto ao produtor, a exemplo do programa “Milho 100%”, mantido pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).
Implementada para a safra 2025-2026 e com investimento de R$ 93 milhões, a iniciativa garantiu subsídio integral para aquisição de sementes de milho e sorgo a mais de 40 mil produtores em 457 dos 497 municípios do Rio Grande do Sul.
– Sementes e Mudas Forrageiras: com investimento de R$ 26 milhões em 2026, o programa atende mais de 24 mil agricultores, fortalecendo a base da pecuária de leite e corte.
– Programa Agrofamília: com foco na sucessão rural e produtividade, a iniciativa já investiu R$ 56 milhões, incluindo R$ 12 milhões em projetos produtivos para jovens em 140 municípios.
– Feiras da Agricultura Familiar: o aporte de R$ 14 milhões em feiras regionais viabiliza a comercialização direta, que em 2025 superou a marca de R$ 46 milhões em vendas.
– Bônus Mais Leite: o foco é fortalecer e qualificar a cadeia produtiva do leite na agricultura familiar. Com investimento de R$ 30 milhões, concede bônus financeiro de até 25% sobre o valor contratado por produtores enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), em operações de custeio e aporte voltadas à atividade.
– Desenvolve RS Rural: conjunto de ações que totalizam R$ 43,7 milhões para fortalecimento da agricultura familiar em povos indígenas, comunidades quilombolas, pescadores, aquicultores e escolas agrícolas, além do incentivo a formas associativas de organização da agricultura familiar e em projetos de captação de água.
– Consulta Popular: destinada a fortalecer agricultura familiar e agroindústrias por meio de projetos das prefeituras , auxiliando produtores no aumento da produtividade e comercialização. Apresentou resultados expressivos em 2025, com execução de 75 demandas e 75 convênios, totalizando R$ 5,93 milhões.
– Defesa Sanitária: a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) também investe na estabilidade das cadeias animais, por meio do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa). Criada pelas próprias cadeias produtivas (aves, suínos, corte e leite), a iniciativa complementa as ações de defesa sanitária e garante mecanismos indenizatórios em casos de enfermidades.
– No setor de especialidades, recursos como o Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Fundovitis, com R$ 44,3 milhõe), o Fundo de Desenvolvimento e Inovação da Cadeia Produtiva de Erva-mate (Fundomate, que destinou R$ 850 mil), bem como o Fundo de Desenvolvimento da Ovinocultura (Fundovinos, com porte de R$ 4,9 milhões) e os programas Pró-Oliva e Pró-Pecã ajudam seus protagonistas a reduzir vulnerabilidades.
– Subvenções: para garantir que o crescimento seja sustentável, o governo oferece subvenções de 20% para investimentos privados em sistemas de irrigação. O objetivo é ampliar a área irrigada em 100 mil hectares nos próximos quatro anos, conferindo previsibilidade ao PIB mesmo em anos de instabilidade climática.
(Marcello Campos)
Voltar Todas de Rio Grande do Sul
Você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!