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Brasil Ritmo de vacinação contra o coronavírus no Brasil caiu 16% em maio

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Rio Grande do Sul é o estado que tem a maior proporção da população totalmente imunizada: 13,8%.(Foto: Cristine Rochol/PMPA)

O ritmo de vacinação no Brasil caiu, segundo dados do consórcio de veículos de imprensa que monitoram a situação da covid-19 no País. Em maio, foi registrada uma diminuição de 4,1 milhões de doses aplicadas em relação ao mês anterior, o que representa queda de 16%.

Segundo especialistas e gestores, a retração no ritmo da imunização tem várias causas: poucas opções de vacinas disponibilizadas pelo Ministério da Saúde, falta de matéria-prima que resultou em paralisação da aplicação de segunda dose em mais de mil municípios, ausência de estratégias para elevar o comparecimento da população que precisa completar o esquema vacinal, e entraves burocráticos relacionados à vacinação da população com comorbidades recentemente incluída, desde a definição das doenças contempladas à dificuldade do cidadão para obter atestados e laudos.

Ao contrário do que prometeu o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, de ter ao menos um milhão de vacinados por dia no País, a média de maio foi de 662 mil doses diárias, ante 821 mil em abril. Somente em três dias ao longo do mês passado o número de vacinados superou um milhão.

De acordo com os dados coletados pelo consórcio de veículos de imprensa, o mês de abril fechou com cerca de 24,6 milhões de doses aplicadas. Já maio registrou 20,5 milhões. A redução significativa ocorreu no montante aplicado como segunda dose: de 10,5 milhões para 6,5 milhões, entre abril e maio.

O levantamento do consórcio pode ter algum tipo de defasagem, visto que três Estados não atualizaram seus números do último dia de maio, que terminou na segunda-feira (31).

No entanto, a base de dados do próprio Ministério da Saúde também sinaliza uma redução de cerca de 22% no ritmo da vacinação, ao registrar 16,2 milhões de doses aplicadas em maio. Há no painel da pasta a indicação de um estoque de cerca de 4 milhões de aplicações ao longo da campanha que ainda serão inseridas na base nacional de dados.

Orientação precipitada

Presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia, Irma de Godoy lembra que, além da falta de insumos para a produção das duas vacinas mais aplicadas no Brasil (CoronaVac/Butantan e AstraZeneca/Fiocruz), houve uma orientação anterior do Ministério da Saúde que pode ter agravado a falta de imunizantes na ponta: de que os municípios não precisariam guardar vacina para a segunda dose.

Em abril, após dar a orientação para que fosse usado tudo que fosse recebido, sem necessidade de reservar montantes para a segunda dose, o que elevou a vacinação naquele mês, o Ministério da Saúde voltou atrás. Ao admitir que faltaria imunizantes para fazer o reforço da CoronaVac, retomou, no fim de abril, a recomendação de se estocar o produto.

“Acredito que essa mudança de estratégia, para se fazer a primeira dose em todo mundo sem reservar nada e depois com o atraso em novas remessas, teve um papel nessa redução do ritmo da vacinação”, diz Irma.

O mês de maio foi marcado por falta de vacinas para segunda dose, principalmente da CoronaVac. A escassez foi relatada por 1.142 municípios, quase 40% dos que responderam à pesquisa da Confederação Nacional de Municípios, feita entre 10 e 13 de maio. Cerca 92% das cidades esperavam o imunizante feito pelo Instituto Butantan em parceria com a Sinovac.

As dificuldades em torno da segunda dose da vacina são apontadas por Mauro Junqueira, secretário-executivo do Conselho Nacional dos Secretários Municipais de Saúde (Conasems), como a principal causa da queda na imunização. Ele destaca que até mesmo nas cidades que tinham segunda dose estocada houve baixa procura do público-alvo.

“A adesão à segunda dose é sempre mais difícil, em toda vacinação que usa esse esquema. Por outro lado, os gestores não podem, diante da baixa procura, usar o imunizante como primeira dose para acelerar a imunização de outros grupos. Isso só será possível quando houver um fluxo regular de entregas”, aponta Junqueira.

A epidemiologista Carla Domingues, que esteve à frente do Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde por oito anos, cobra uma campanha efetiva e uma comunicação mais clara com a população sobre a segunda dose.

“Qual tem sido a ação dos municípios de esclarecimento, de busca ativa dessas pessoas? Além desse aspecto, temos como causa central a intermitência de entrega das duas vacinas mais aplicadas (CoronaVac e AstraZeneca) o tempo todo, o que dificulta a aceleração do ritmo. A da Pfizer chega em quantidade muito pequena ainda”, comenta Domingues.

Barreiras burocráticas também são apontadas como causas da vacinação em marcha lenta. A inclusão do grupo com comorbidades, sem uma definição exata das doenças e grau de acometimento, leva gestores a empreenderem discussões que consomem tempo e acabam por atrasar a imunização nos pontos de atendimento, além da dificuldade da população em obter os atestados necessários.

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