Terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 17 de fevereiro de 2026
Quem vai pegar uma estrada federal no retorno deste Carnaval deve tomar muito cuidado. Além do trânsito mais intenso nas principais rodovias, a partir dessa terça-feira (17), o número de acidentes e, por consequência, de mortes nas rodovias está em alta.
De acordo com o recente Guia CNT das Rodovias Brasileiras 2026 e dados da Polícia Rodoviária Federal, a quantidade de acidentes nas estradas federais saltou de 63.576 ocorrências em 2020 para 72.476 em 2025 – crescimento de 14%. Mais preocupante é o aumento na quantidade de acidentes com mortes – elevação de 18,3% no mesmo período. Entre janeiro e dezembro de 2025 houve 6.040 óbitos. Isso resulta em uma média de 199 acidentes e 16 óbitos por dia.
“A concentração de sinistros nesses locais está muito relacionada ao volume de tráfego que é grande nesses trechos”, diz Tiago Bastos, do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) e professor da Universidade Federal do Paraná. “E também com a proximidade de áreas urbanizadas, criando conflitos entre o tráfego de passagem da rodovia e o trânsito local de pessoas e veículos.”
Além desses índices, que acendem um alerta entre os especialistas em segurança viária, o guia faz uma ampla radiografia das estradas federais com local, número, natureza e as principais causas dos acidentes. Há tanto números nacionais como recortes por região e Estado.
A BR-101 foi a rodovia que registrou mais acidentes no período, com 13.006 ocorrências (17,9% do total). Também é a com mais mortes: 760 (12,6% do total). Essa estrada tem mais de 4,8 mil quilômetros de extensão, iniciando no Rio Grande do Sul e indo até o Rio Grande do Norte. Em seu trajeto assume diversos nomes populares, como Translitorânea, Rodovia do Contorno, Rio-Santos e Rio-Vitória. A BR-116 também aparece com vários trechos perigosos. Ela vai do Ceará ao Rio Grande do Sul, totalizando 4,7 mil quilômetros e assumindo nomes conhecidos como Presidente Dutra e Régis Bittencourt.
Segundo o estudo da Confederação Nacional do Transporte, os acidentes mais recorrentes são as colisões e as saídas de pista – situação com maior número de óbitos registrados, seguidas pelos atropelamentos. Os dados apontam, ainda, que a principal causa dos acidentes está associada à ausência de reação do condutor diante de situações de risco, o que reforça a importância de atenção contínua e condução defensiva.
O excesso de velocidade, segundo os especialistas, continua a ser um dos principais problemas. “Abusar da velocidade é ‘o fator de risco mãe’ entre todos os outros fatores”, comenta Tiago Bastos.
Para ele há algumas iniciativas que poderiam ajudar a reduzir o número de acidentes. Uma delas seria tratar o trecho das rodovias que passam por áreas urbanas como parte da cidade. “Ou seja, deveria haver projetos viários apropriados, com redução de velocidade nessas áreas. Isso certamente reduziria os atropelamentos”, diz o especialista em segurança viária.
Outra proposta que ajudaria bastante, segundo Tiago Bastos, para reduzir os acidentes em áreas distantes dos centros urbanos, seria a fiscalização eletrônica por velocidade média – o que abrangeria trechos com extensão de vários quilômetros das rodovias. “Isso faria com que a cobertura fiscalizada fosse muito maior do que ocorre atualmente com radares isolados.”
O Ministério dos Transportes não se pronunciou. Sobre a BR-116, a Ecovias Rio Minas afirmou que “executa um conjunto abrangente de ações para reduzir sinistros e elevar a segurança viária”. “Entre as medidas estão o reforço do monitoramento, com 556 novas câmeras e 46 PMVs, e mobilizações operacionais em períodos críticos.”
Já a concessionária Motiva, responsável pela administração da Via Dutra entre São Paulo (SP) e Seropédica (RJ), afirmou que o trecho, em 2025, teve redução de 12% no índice de acidentes, 13,7% no índice de vítimas e 1,3% no índice de mortes. “É importante destacar que o estudo da CNT leva em consideração apenas números absolutos de ocorrências, sem ponderar o tráfego.”
Sobre a BR-101, a Arteris informou que atua de forma contínua e integrada para mitigar acidentes e mortes nas rodovias. “Somente entre janeiro e dezembro de 2025, realizou mais de mil campanhas de conscientização de segurança viária dos Programas Viva, atingindo 89 mil usuários.”
Sobre o trecho recentemente municipalizado dessa via (km 206 a km 270), a Prefeitura da Serra (ES) informou que já iniciou ações para ampliar a segurança viária em toda a extensão da Avenida Mestre Álvaro. “Além disso, estão previstos projetos estruturantes, como corredor exclusivo para ônibus, ciclovias, calçadas acessíveis e intervenções de engenharia em pontos de estrangulamento.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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