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Notícias Roger Waters agradeceu as vaias em São Paulo e disse que Bolsonaro é corrupto e insano

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Em Salvador, Waters exibiu no telão imagem do mestre Moa. (Foto: Reprodução/Instagram)

O músico inglês Roger Waters, 75 anos, está no meio de sua turnê pelo Brasil. Seu show espetacular, que reúne alguns dos maiores hits do Pink Floyd, banda que liderou dos anos 1960 ao início da década de 1980, agora segue sob o espectro do confronto do artista com parte de sua plateia: recentemente agradeceu as vaias em São Paulo e disse que Bolsonaro é corrupto e insano.

Ao exibir #EleNão no telão do gigantesco palco montado no Allianz Parque, em São Paulo, no último dia 9, na estreia da turnê no País, ele recebeu mais vaias do que aplausos e inseriu sua figura na discussão polarizada do segundo turno da eleição presidencial.

Com um show de caráter político, seu posicionamento contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL) é mostrado em um contexto de imagens destinadas a condenar o avanço, em escala global, do que Waters chama de neofascismo.

Os espetáculos seguintes, sem exibição da hashtag, receberam reações diversas. Na segunda noite paulistana, no dia 10, houve protestos do público, com faixas ofensivas abertas na arquibancada. Em Brasília, no dia 13, novamente uma plateia dividida, vaias e aplausos.

Em Salvador, na quarta (17), Waters teve a recepção mais positiva. Exibiu no telão imagem do mestre de capoeira Moa do Katendê, morto no dia 7, após discussão sobre política partidária.

No show deste domingo (21) no Rio de Janeiro, é esperada uma homenagem a Marielle Franco, vereadora assassinada a tiros na cidade no dia 14 de março, junto com o motorista Anderson Gomes.

Nos intervalos dos shows, cumpre agenda de encontros, muitos relacionados a seu ativismo na campanha BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções), que defende desde 2006, de boicote econômico, cultural e político a Israel — como pressão pelo fim da ocupação de territórios palestinos.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Waters agradeceu ao público e sustentou suas pesadas críticas a Bolsonaro. Confira alguns trechos.

1. Você avalia que a vaia recebida em São Paulo afetou a turnê?

O melhor da reação que nós recebemos em São Paulo na primeira noite, quando projetamos #EleNão no telão, é que esse show está na estrada desde maio de 2017, por todo o mundo, mas poucas pessoas tinham entendido o que é tudo isso. É disso que a turnê “Us & Them” fala. Viajamos pelo mundo tocando canções, mas há uma mensagem particular, que se fez presente em São Paulo, gerando controvérsia, porque o país está claramente dividido.

2. Você já tinha uma compreensão dessa divisão?

Há uma separação severa no mundo entre ricos e pobres, não só no Brasil, mas aqui é muito forte. Quando você anda por São Paulo, você vê casas bonitas e ricas cercadas por grades de metal, com guardas vigiando-as e centenas de câmeras. Dali a cem metros, você vê pessoas morando sobre papelão molhado, na sarjeta.

Esses caras foram prejudicados, claro, mas não por Lula ou por Dilma, ou quem quer que seja. Eles foram prejudicados pelo neoliberalismo, pelo mercado livre mundial, que não regula as oportunidades para os indivíduos.

É contra isso que eu levanto minha voz.

Então eu digo “Obrigado, São Paulo”,  às pessoas que fizeram aquele barulho. Lamento que vocês estejam brigando uns contra os outros, discutindo coisas fundamentais sob a ótica de alguém como Bolsonaro. O que ele fala não deveria ser assunto para nenhuma argumentação em qualquer lugar do mundo. É uma coisa real e assustadora.

3. Você tenta se informar sobre a situação local antes de ir? Há pessoas que pesquisam essas informações?

Eu não tenho ninguém que faça essas pesquisas para mim. Tento conversar ao máximo com as pessoas dos locais que visito. Minutos atrás tive uma conversa com um jovem especificamente sobre Lula e a corrupção, sobre o encarceramento do ex-presidente e o impeachment de Dilma.

No resto do mundo, se você ler sobre isso na imprensa mainstream, vai encontrar “Oh, que tragédia! Um líder popular tão importante sucumbiu diante das tentações do poder e começou a roubar dinheiro do povo”. Mas por que ele faria isso? Qual é a verdadeira história?

4. Com quem você tem conversado no Brasil?

Com todos por perto. O chefe da minha equipe de segurança no Brasil conversa comigo e ele acredita que Bolsonaro é uma coisa nova na política e é incorruptível. Pergunto se ele está debochando de mim. Bolsonaro está na política brasileira há 30 anos e é totalmente corrupto! E é louco. Vingativo e insano.

Está claro que não vai fazer nada para romper com o sistema vigente. Vai acelerar ao máximo essa onda que está destruindo o mundo. Vai facilitar as coisas para quem está roubando dinheiro das pessoas pobres. Vai militarizar a polícia. Vai tornar tudo mais difícil para as classes trabalhadoras. Grito para quem quiser ouvir. É o que vai acontecer se esse cara for eleito.

Ao final, Waters lembrou que, na Alemanha, elegeram Hitler como uma coisa nova na política.

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