Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 28 de fevereiro de 2022
O fornecimento de armas e equipamentos militares por parte da UE (União Europeia) à Ucrânia devido à invasão do país pelas forças russas vai desestabilizar ainda mais a situação e terá “consequências perigosas”, advertiu nesta segunda-feira (28) o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
“O envio de armamentos, equipamentos militares para o território da Ucrânia, do nosso ponto de vista, pode ser e será um fator extraordinariamente perigoso e desestabilizador, que em nenhum caso contribuirá para a estabilidade da Ucrânia e para a restauração da ordem”, disse Peskov em entrevista coletiva.
Ele destacou que, a longo prazo, esse passo da UE poderá ter “consequências muito mais graves”.
“Isto mais uma vez confirma que as medidas que a Rússia está tomando foram corretas”, declarou.
“A União Europeia é uma associação que adota uma posição pouco amistosa em relação a nós e toma medidas hostis. Chamando as coisas pelos nomes, de caráter inimigo em relação a nós”, acrescentou.
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, elogiou nesta segunda a decisão da UE de, pela primeira vez em sua história, organizar e financiar, com 500 milhões de euros, o fornecimento de armas em uma guerra envolvendo um país de fora do bloco.
“Preciso de munição, não de uma viagem”, disse o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na sexta-feira (25), ao rejeitar uma oferta dos Estados Unidos para resgatá-lo da Ucrânia.
Seu pedido aparentemente foi ouvido pela comunidade internacional.
À medida que a invasão russa da Ucrânia, que começou em 24 de fevereiro, continua, vários países prometeram apoio enviando armas ao país, um movimento sem precedentes, com mudança importante de posição por parte da Alemanha.
No sábado (26), Estados Unidos, Alemanha, Austrália, França e Holanda anunciaram remessas de armas para a Ucrânia.
O Departamento de Estado americano se comprometeu com o equivalente a US$ 350 milhões em armas, incluindo mísseis antitanque Javelin, sistemas antiaéreos e coletes à prova de balas.
A Alemanha confirmou que forneceria à Ucrânia mil lançadores de granadas antitanque e 500 mísseis Stinger e, em paralelo, anunciou a suspensão do bloqueio para envio de armas de fabricação alemã por meio de outros países.
A decisão marca uma mudança importante e poderia abrir espaço para um aumento da ajuda militar à Ucrânia vinda de outros países do continente. Isso porque uma parte das armas fabricadas na Europa são pelo menos parcialmente manufaturadas na Alemanha – o que significa que o país pode interferir na decisão de enviá-las a outras regiões.
A Holanda, por sua vez, anunciou que entregaria 50 armas antitanque Panzerfaust-3 e 400 foguetes.
Alemanha e Holanda estudam ainda enviar um sistema de defesa aérea conjunto Patriot para um grupo de batalha da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na Eslováquia, que faz fronteira com a Ucrânia.
A aliança militar tem enviado tropas para o leste europeu “para responder rapidamente a qualquer contingência”.
No domingo, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, comunicou que a União Europeia, pela primeira vez em sua história, compraria armamentos para entregar a uma nação em guerra.
Ao anunciar o fornecimento de armas à Ucrânia, Leyen também divulgou uma série de novas sanções contra a Rússia, entre elas o fechamento do espaço aéreo europeu para aeronaves do país, e contra a vizinha Belarus, considerada cúmplice da invasão russa.
Horas depois, a Suécia informou que enviaria 5 mil lançadores de mísseis antitanque, 5 mil coletes, 5 mil capacetes e 135 mil pacotes de ração militar aos ucranianos.
Segundo a primeira-ministra do país, Magdalena Andersson, esta é a primeira vez que a Suécia manda armas para uma região em conflito desde a invasão soviética à Finlândia em 1939. As informações são da agência de notícias Efe e da BBC News.
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