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Mundo Rússia recorre a estudantes para repor em seu exército as crescentes baixas na Ucrânia

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Campanha mira alunos com dificuldades acadêmicas. (Foto: Reprodução)

“Ele estudou sobre drones por três meses – e, mesmo assim, o lançaram em um ataque frontal, direto para o moedor de carne”, disse Oksana Afanasyeva, mãe adotiva de Valery Averin.

O jovem de 23 anos está entre os primeiros estudantes russos cuja morte na Ucrânia foi confirmada após ele se alistar como parte de uma nova campanha de larga escala para recrutar jovens de universidades e faculdades para as unidades de drones da Rússia.

A campanha para incentivar estudantes de universidades, faculdades técnicas e escolas profissionalizantes a assinarem contratos com o exército começou no início deste ano, à medida que a Rússia buscava manter seu esforço de guerra pelo quinto ano de conflito.

A iniciativa concentrou-se especialmente naqueles que enfrentavam dificuldades acadêmicas ou que cogitavam fazer uma pausa nos estudos. As unidades de drones foram apresentadas como uma via de atuação de elite e com tecnologia avançada na guerra.

Vladislav Gorbunov, um jovem de 18 anos da pequena cidade de Unecha – situada a 70 km ao norte da fronteira com a Ucrânia –, morreu em 6 de abril, quatro meses após assinar o contrato.

Ele havia estudado construção e manutenção ferroviária na Escola Técnica Estadual de Tecnologias Setoriais e Transportes de sua região e foi inicialmente enviado para uma unidade de assalto de infantaria na linha de frente, antes de ser transferido para uma unidade de operadores de drones.

Os dois ex-estudantes – Gorbunov e Averin – estão entre os 230.407 soldados e oficiais russos cujas mortes foram confirmadas pela BBC, com base na análise de cemitérios, memoriais de guerra, registros governamentais e obituários.

Acredita-se que o número real de mortos seja muito maior. Especialistas militares estimam que a análise de dados de fontes abertas reflita entre 45% e 55% do total de óbitos na guerra.

Isso situaria o número real de mortes entre 417 mil e 509,5 mil. O GCHQ, principal agência de inteligência do Reino Unido, afirmou em maio que o número chegava a quase 500 mil.

Perdas ucranianas

As perdas da Ucrânia também são muito elevadas. O presidente Volodymyr Zelensky informou, em fevereiro de 2026, a ocorrência de 55 mil mortes, além de um grande número de desaparecidos.

Um site ucraniano anônimo sugere que o número total de mortes militares pode chegar a 213 mil, e a inteligência militar holandesa estima em cerca de 500 mil o número de mortos, feridos e desaparecidos entre os ucranianos.

Repor as baixas – entre mortos e feridos – tornou-se fundamental para sustentar a guerra em larga escala da Rússia na Ucrânia, e as autoridades apresentaram o programa pelo qual Averin foi recrutado como uma via voluntária de ingresso em um braço das forças armadas considerado moderno, com tecnologia avançada e relativamente seguro.

Aos estudantes, é oferecido um contrato especial de um ano para servir em um novo setor das forças armadas conhecido como “tropas de sistemas não tripulados”, já que os drones se tornaram uma arma central na guerra na Ucrânia.

O ministro da Defesa da Rússia, Andrei Belousov, afirmou em novembro de 2025 que a força buscaria atrair principalmente pessoas com menos de 35 anos, uma vez que os recrutas mais jovens eram considerados mais receptivos a “novas tecnologias”.

Em questão de semanas, reuniões de recrutamento começaram a ser marcadas em instituições de ensino por toda a Rússia.

A BBC News Rússia encontrou evidências de atividades de recrutamento em pelo menos 95 universidades e faculdades até o final de fevereiro e, em abril, a publicação estudantil Groza estimou em quase 270 o número de universidades e faculdades que haviam promovido a assinatura de contratos para servir às forças de drones. (As informações são da BBC Brasil)

 

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