A prática da oscilação quase diária no preço dos combustíveis só poderia levar a um desastre. Quando havia aumento na refinaria, atingia a todos. Em caso de redução, o benefício não chegava ao consumidor, dada a velocidade das mudanças.
O presidente da Petrobras, Pedro Parente, insistiu na fórmula e caiu. Deixa conta altíssima, sem precedentes, para a população pagar.
Em um país desenvolvido, responderia pelo que fez. Aqui, pegou o chapéu e foi embora. Não consta, até agora, que tenha pedido desculpas pelos estragos.
Interpretação equivocada
Na carta de demissão, Parente destacou: “A greve dos caminhoneiros e suas graves consequências para a vida do País desencadearam um intenso e por vezes emocional debate”.
Emocional, apenas na medida em que os consumidores viraram peteca. De resto, foi dor no bolso com prejuízos pesados.
Jogo em que consumidor perde
O presidente Michel Temer anuncia que a política de preços da Petrobras vai continuar a mesma e pavimenta nova greve. Mesmo que os balanços da estatal demonstrem recuperação de uma situação pré-falimentar, há dois anos, falta sensibilidade à cúpula do governo para concluir que há uma briga entre o mar e o rochedo. De um lado, a cotação do dólar e a variação do petróleo no mercado internacional. De outro, o equilíbrio financeiro da empresa. Os consumidores, que são os mariscos, não podem ficar no vai-e-vem de novos preços a cada dia. A isso se chama anarquia.
Nova denominação
A greve devastadora dos últimos dias comprovou: o Brasil é uma República Rodoviarista, que sacode os pilares da Economia com facilidade.
O Rio Grande do Sul, por exemplo, já teve uma das melhores redes ferroviárias do País, hoje sucateada. Além de rios e lagoas navegáveis, sem utilização adequada.
Com atraso
Entrou na pauta de votações da Câmara dos Deputados projeto de lei que regulamenta o transporte rodoviário de cargas no País. É sempre assim. Parlamentares só saem em busca dos extintores de incêndio quando as chamas estão altas.
Vão reavaliar a tática
As grandes centrais sindicais andam desoladas. Mesmo que tenham tentado, desde a redemocratização, nenhuma chegou perto dos resultados obtidos pelos caminhoneiros. Para o Brasil foi episódio inédito.
Recomeço
Passado o tsunami da greve, os julgamentos dos casos de corrupção voltarão em marcha acelerada ao noticiário.
Medo persiste
Temendo o que possa se repetir, dispara a consulta de motoristas em oficinas especializadas. Querem orçamentos para troca da gasolina por gás natural veicular.
De um problema a outro
O gabinete de crise, criado há uma semana pelo governo do Estado, deveria continuar, mudando o foco para o grave problema das finanças públicas. Do jeito que anda o orçamento, serão necessários vários e potentes guindastes para tirar do buraco.
Na pista de decolagem
Na próxima semana, o candidato Eduardo Leite ficará três dias em Porto Alegre. No primeiro, fará reuniões com partidos que pretendem entrar na coligação PSDB-PTB; no segundo dia, ouvirá as assessorias que elaboram o plano de governo, com ênfase na difícil situação financeira; no terceiro, escolherá novos roteiros pelo Interior e vai tratar de definições da propaganda.
Há 40 anos
A 2 de junho de 1978, a convenção da Arena em São Paulo escolheu Paulo Maluf como seu candidato ao governo do Estado para as eleições indiretas na Assembleia Legislativa. Foi considerado o primeiro ato de rebeldia do partido contra o regime militar. O presidente da República, Ernesto Geisel, havia indicado Laudo Natel, que foi rejeitado.
O que deve mudar
O pouco é muito para o eleitor conformado que ainda se ilude com as tradicionais soluções de palanque.
