Quinta-feira, 25 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 17 de março de 2021
Nos últimos dias, alguns países da Europa decidiram suspender a aplicação da vacina da farmacêutica AstraZeneca produzida em parceria com a Universidade de Oxford.
Entenda o que levou à medida e se ela afeta o Brasil.
1) O que levou à suspensão?
A decisão é uma medida preventiva após o registro de casos de trombose venosa e embolia pulmonar entre pessoas que receberam a vacina AstraZeneca/Oxford.
2) Quantos casos foram?
Uma austríaca de 49 anos morreu como resultado de graves distúrbios de coagulação, enquanto uma mulher de 35 anos desenvolveu uma embolia pulmonar, foi hospitalizada e está se recuperando. A Dinamarca também detectou um caso de trombose grave depois da inoculação do fármaco.
De acordo com a AstraZeneca, foram registrados 15 eventos de trombose venosa profunda e 22 de embolia pulmonar entre os 17 milhões que receberam a vacina no mundo, segundo informações compiladas pela empresa até o dia 8 de março.
3) Que países adotaram a medida?
Na última segunda-feira (15) foram Alemanha, França, Espanha e Itália. Irlanda e Holanda suspenderam o uso no domingo (14). Antes ainda, na semana passada, Áustria, Bulgária, Dinamarca, Estônia, Islândia, Letônia, Lituânia, Luxemburgo e Noruega já haviam anunciado a paralisação.
4) O que diz a AstraZeneca?
A AstraZeneca afirmou ter feito uma revisão detalhada de dados dos 17 milhões de vacinados com o produto na União Europeia e no Reino Unido. O levantamento, segundo a empresa, “não mostrou evidências de um risco aumentado de embolia pulmonar, trombose venosa profunda ou trombocitopenia, em qualquer faixa etária, sexo, lote ou em qualquer país em particular”.
Coordenadora dos testes da AstraZeneca no Brasil e diretora do grupo de vacinas de Oxford no país, Sue Ann Costa Clemens lembra ainda que, entre as 60 mil pessoas que receberam o imunizante ainda durante os estudos em todo o mundo, a incidência de casos de trombose e embolia também foi menor do que a observada normalmente na população.
5) O Brasil vai continuar aplicando a vacina de AstraZeneca/Oxford?
Sim. A vacina da AstraZeneca é a principal aposta do governo federal e uma das duas usadas na vacinação contra a covid-19 e os anúncios da suspensão na Europa não interromperam seu uso no país. A Anvisa informou que solicitou mais detalhes às autoridades internacionais sobre possíveis eventos adversos relacionados à vacina.
Para o infectologista Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, eventos adversos em campanhas de vacinação em massa são esperados. Entre os vacinados estão pessoas idosas, com doenças crônicas e que têm mais chances de terem doenças com ou sem vacina. Ele defende que, embora os casos de reação adversa precisem ser investigados com cautela, o Brasil não deve seguir a posição dos países europeus.
“Com mais de 2 mil pessoas morrendo por dia no Brasil, não faria o menor sentido parar de vacinar. Para os países europeus, que têm meia dúzia de vacinas diferentes disponíveis, é possível suspender até que dados novos sejam compilados”, diz Kfouri. “Agora, no Brasil, seria uma atitude anti-saúde proibir uma vacina por suspeita de evento adverso raro em meio a um momento terrível da pandemia.”
A microbiologista Natália Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência, destaca que os países não apontam relação de causa e efeito entre o uso da vacina e os eventos tromboembólicos.
“Infelizmente, o ser humano é bastante equipado para enxergar padrões e se assustar com eles”, diz Pasternak. “A gente está vacinando pessoas e, de repente, pessoas vacinadas desenvolveram coágulos. Mas quantas não vacinadas desenvolvem esse quadro normalmente? Essa é a pergunta que precisamos fazer: as pessoas vacinadas têm uma taxa significativamente maior de formação de coágulos, embolia e trombose com relação ao restante da população? A resposta é não.”
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