Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 3 de agosto de 2018
Um motorista tumultua a já complicada situação da ex-presidente argentina Cristina Kirchner, que responde a quatro processos por suspeita de corrupção e irá a julgamento em dois deles. Oscar Centeno expôs a versão argentina da Lava Jato, descrevendo minuciosamente a rota do dinheiro sujo do kirchnerismo em oito cadernos escolares.
Este diário da propina levou o juiz Claudio Bonadio a decretar a prisão de 12 empresários e ex-funcionários do governo. E também a pedir, pela segunda vez, que o Senado, com maioria kirchnerista, retire o foro privilegiado da ex-presidente, atualmente senadora pela Unidade Cidadã.
O motorista Centeno trabalhava para Roberto Baratta, adjunto do poderoso ex-ministro do Planejamento Julio De Vido, que está preso desde o ano passado. Durante dez anos, anotou dia, hora e local das entregas das supostas propinas mandadas por grandes empresários a altos funcionários do governo.
Ele calcula ter transportado 56 milhões de dólares em espécie e suas anotações revelam que os destinos de muitas das bolsas cheias de dinheiro eram o apartamento particular da ex-presidente, a residência de Olivos e o escritório de chefe de gabinete.
O juiz Claudio Bonadio estima que o montante da corrupção seja pelo menos três vezes maior do que o relatado por Centeno em seus cadernos. O cerco ao movimento que dominou a Argentina durante 13 anos já produziu cenas grotescas. Numa delas, o então secretário de Obras, José López, foi preso quando tentava esconder, em plena madrugada, US$ 9 milhões em sete bolsas num convento de Buenos Aires.
Bonadio quer a autorização do Senado para fazer buscas em propriedades da ex-presidente, que está convocada para depor no dia 13. Amparada pelo cargo, pode até não comparecer à audiência, se quiser.
Além de ser alvo de investigações sobre lavagem de dinheiro, favorecimento e fraudes em licitações, Cristina é acusada de acobertar iranianos envolvidos no atentado à Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), que matou 85 pessoas em 1994.
O promotor Alberto Nisman denunciou em 2015, dias antes de ser encontrado morto, que a ex-presidente montou um esquema criminal para acobertar os supostos responsáveis pelo atentado a fim de melhorar a relação comercial com o Irã.
Nisman afirmava que um memorando assinado entre a Argentina e o Irã, em 2013, buscava na realidade acobertar, entre outros, o ex-presidente iraniano Ali Akbar Rafsanjani.
O atentado ocorreu em julho de 1994, na sede da Amia, no centro de Buenos Aires. Um braço palestino do grupo libanês Hezbollah, chamado Ansar Allah, reivindicou o ataque. A milícia libanesa é aliada do governo iraniano, ambos xiitas.
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