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Mundo Saiba como é a megaoperação de resgate do navio que fechou o Canal de Suez e “engarrafou” centenas de embarcações

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Corre o risco de durar semanas a libertação do cargueiro gigante Ever Given. (Foto: Cnes2021)

Corre o risco de durar semanas a libertação do cargueiro gigante Ever Given, de 400 metros de comprimento, 59 de largura e mais de 200 mil toneladas, que bloqueou o Canal de Suez e deixou “engarrafados” mais de 200 navios, atrapalhando o comércio internacional. Mas como está sendo feita essa megaoperação?

Segundo especialistas, após dias de tentativas infrutíferas, as equipes de salvamento estão se concentrando na dragagem para remover areia e lama em torno da proa do navio.

Uma draga de sucção especial será usada para mover 2 mil metros cúbicos de areia e lama ao redor do navio a cada hora.

Além disso, bombas de alta capacidade também são usadas para reduzir os níveis de água que servem de lastro em certas partes do navio.

A primeira tentativa de desencalhar o navio fracassou na sexta-feira, reconheceu a empresa marítima Bernhard Schulte Shipmanagement (BSM), encarregada da gestão técnica do navio.

A empresa informou que “dois rebocadores adicionais de 220 a 240 toneladas” chegariam antes deste domingo (28) para reforçar as manobras.

Remover a areia é fundamental para tentar fazer o Ever Given voltar a flutuar no canal. Segundo os especialistas dezenas de milhares de metros cúbicos de areia no canal precisam ser retirados para liberar o gigantesco navio.

As dragas precisarão mover entre 15 mil a 20 mil metros cúbicos de areia e lama, o equivalente à capacidade de oito piscinas olímpicas.

O objetivo é alcançar uma profundidade de 12 a 16 metros, o que pode permitir que o navio flutue, disse a Autoridade do Canal de Suez (SCA) na quinta-feira.

Enquanto uma escavadeira e as dragas trabalham, rebocadores tentam puxar o cargueiro para libertá-lo do encalhe.

Após se comunicar com o governo egípcio, a Marinha americana vai enviar ao canal seus experts em operações de dragagem, para ajudar as equipes de resgate. A Turquia propôs enviar um grande rebocador para auxiliar no socorro.

Se a dragagem e as bombas não forem suficientes, será preciso remover a carga do navio (que tem capacidade para 20.100 contêineres de aço) e esvaziar os tanques de combustível.

Mas isso vai requerer enormes guindastes, por exemplo, e terá que ser feito com extremo cuidado, dizem os técnicos, porque qualquer desequilíbrio na estabilidade do Ever Given poderá causar danos.

Segundo disse à BBC Sal Mercogliano, especialista em história marítima da Campbell University, nos Estados Unidos, o pior cenário seria o navio se partir em dois se todo o resgate não for feito com cautela.

Segundo a CNN, numa entrevista à TV holandesa, Peter Berdowski, CEO da Boskalis Westminster, a empresa-mãe da equipe de salvamento, afirmou que pelo menos o cargueiro ainda está em boas condições, o que ajudará no resgate. Mas a primeira impressão que se tem ao ver o Ever Given, admitiu ele, é que está “preso como uma rocha” no canal.

O brasileiro Rodrigo Leandro, 41 anos, que trabalha em Dubai, Emirados Árabes Unidos, como gerente de fretamento da empresa Mur Shipping, disse não esperar uma solução definitiva para o bloqueio no Canal de Suez nas próximas três semanas.

“Não temos nenhum navio agora na rota de Suez, por onde transitam 350 embarcações por semana nas duas pernadas, norte e sul. Mas os que saírem a partir de agora rumo a Europa farão o caminho pela África do Sul, o que vai aumentar a viagem em até 25 dias”, disse ele. “Não vejo tão cedo esse canal abrindo. Acho difícil liberar o navio, que é enorme, sem tirar a carga ou o óleo dele. Não vejo melhora do quadro em pelo menos três semanas”, acrescentou Rodrigo, que tem experiência de 20 anos em logística do transporte de minérios, fertilizantes e grãos.

Os preços do petróleo tiveram forte alta na sexta-feira depois do fracasso da primeira tentativa de socorro. O barril de Brent do Mar do Norte para entrega em maio fechou em alta de 4,23% em Londres, a US$ 64,57. Enquanto isso, em Nova York, o barril de WTI para entrega no mesmo período subiu 4,11%, a US$ 60,97. As informações são do jornal O Globo.

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