Terça-feira, 22 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 29 de setembro de 2021
Nas últimas semanas, prefeitos e governadores de várias partes do Brasil anunciaram um relaxamento das medidas de contenção da pandemia, que mantinham muitos espaços de convivência, como shoppings, restaurantes e estádios de futebol, fechados ou com horários e taxas de ocupação mais restritos.
O alívio tem a ver com três fatores principais. O primeiro deles é a redução significativa na média móvel de casos e mortes por covid-19: no mês de setembro, foram registrados os números mais baixos desde o início de 2021.
O segundo ponto tem a ver com o avanço da vacinação. Até o momento, 71% dos brasileiros já tomaram a primeira dose e 41% estão com o esquema de proteção completo. Embora se saiba que os imunizantes não sejam 100% efetivos para evitar a infecção pelo coronavírus, eles previnem de forma significativa o agravamento da doença, que exige internação, intubação e pode levar à morte.
Em terceiro lugar, não dá para ignorar o cansaço acumulado ao longo dos últimos meses. Estamos na pandemia há um ano e meio e é complicado pensar que todo mundo continuaria em isolamento completo por todo esse tempo.
“A pandemia não acabou, mas as pessoas não querem mais se restringir com a mesma intensidade de antes”, constata a médica Sylvia Lemos Hinrichsen, consultora de biossegurança da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
“Existe um limite de quanto conseguimos priorizar apenas o aspecto médico. Todos estamos cansados e há uma necessidade de retomar as atividades econômicas”, admite o infectologista Renato Grinbaum, que também integra a SBI.
“E é perfeitamente possível pensar numa reabertura se tomarmos certos cuidados”, completa o médico.
Que fique claro: as boas notícias recentes não significam uma liberação geral. Mas elas permitem, sim, fazer algumas coisas com um pouquinho de mais liberdade, dizem os especialistas.
Mas como fazer isso na prática? Quais são as recomendações básicas para retomar um pouco da rotina e minimizar o perigo de pegar a covid-19? Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil levantam dicas práticas para manejar o risco e evitar que os números da pandemia voltem a subir.
Do ponto de vista prático, existem algumas premissas básicas a serem seguidas antes de pensar em retomar algumas atividades sociais.
O primeiro passo é aguardar 14 dias após completar a vacinação, seja com as duas doses ou com o imunizante da Janssen, de dose única. Esse é o tempo necessário para que o sistema imune crie uma resposta.
“É importante que todo mundo participe da campanha de imunização e tome as duas doses”, reforça Hinrichsen.
Segundo, não dá para abdicar das máscaras na maioria das situações. Dependendo da ocasião, é importante usar modelos profissionais (como a PFF2) e checar se o equipamento está vedando bem as maçãs do rosto, a região do nariz, as bochechas e o queixo.
Terceiro, é necessário adaptar as recomendações à realidade individual e ter muito cuidado com a parcela da população que é mais vulnerável aos estragos da Covid. Se você vive na mesma casa de um idoso ou de uma pessoa com imunidade comprometida, por exemplo, as precauções devem ser bem maiores, para minimizar a probabilidade de você se infectar com o coronavírus e transmiti-lo para esses familiares.
“E não podemos nos esquecer também das recomendações básicas de higiene. Ao tossir ou espirrar, cubra a boca e o nariz com as mãos para evitar espalhar gotículas e aerossóis por todo o ambiente”, acrescenta Grinbaum.
Se você apresenta qualquer sintoma ou algum sinal típico de gripe ou resfriado (coriza, tosse, febre, dor no corpo…), é importante suspender qualquer atividade social ou de trabalho e evitar ao máximo o contato com outras pessoas. Se for o caso, vale buscar a orientação médica e fazer um exame para confirmar ou descartar o diagnóstico de Covid-19.
Mori orienta que as pessoas evitem, sempre que possível, situações que representam maior risco de infecção. Ele usa como exemplo uma política adotada no Japão, que pede cuidado extremo diante de três situações:
– Espaços fechados e mal ventilados;
– Locais onde há aglomerações, com pessoas muito próximas umas das outras;
– Interações sociais com muita proximidade física e por um tempo prolongado.
“É justamente na intersecção dessas três situações que há o maior risco”, complementa o físico.
Por fim, outra atitude fundamental é ficar de olho nas últimas estatísticas sobre a pandemia da região onde você mora. Se os números de casos, hospitalizações e mortes voltarem a subir, será necessário restringir as atividades novamente. As informações são da BBC News.
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