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Brasil Saiba os problemas apontados pela Polícia Federal e os argumentos dos frigoríficos

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(Foto: Banco de Dados/ O Sul)

A operação deflagrada pela Polícia Federal investiga um suposto esquema em que donos de frigoríficos pagavam propina a fiscais do Ministério da Agricultura para liberar produtos no mercado sem a devida fiscalização. Ao todo, 21 estabelecimentos são investigados. Veja abaixo os problemas identificados pela operação em cada uma das companhias citadas pela PF e o que cada uma tem a dizer a respeito.

 

BRF

O que a PF apurou

– Incidência de salmonela em duas granjas, uma de peru e outra de frango, e também um lote de perus que havia sido exportada para a Europa.

– Executivos da empresa foram grampeados combinando troca de favores e e o envio de presentes a fiscais do Ministério da Agricultura para que a granja de Buriti, que não tinha licença para abater perus, continuasse funcionando.

– Também existe a acusação de apoio a campanhas eleitorais e de oferta de produtos a fiscais para evitar a interdição da unidade de Mineiros, em Goiás.

– A BRF ainda teria pago uma viagem à Europa a uma funcionária do ministério para conhecer uma tecnologia de abate de animais de alta performance — mais de 10 mil aves por hora. O Ministério da Agricultura não permitia esse sistema, mas depois acabou aprovando-o no país.

– Outro grampo a funcionários da empresa levou a PF a acusar a empresa de misturar papelão em carne processada

 O que diz a empresa

Em nota, a BRF diz que a unidade de Mineiros produz carne de frango e de peru e responde por menos de 5% da produção total da empresa. Seus produtos são destinados a exportações e mercado interno, possuindo três certificações internacionais. A última auditoria realizada pelo Ministério da Agricultura aconteceu em fevereiro deste ano e a fábrica foi considerada apta a manter as operações. A empresa diz ainda que apesar de o juiz da operação ter considerado desnecessário o fechamento da unidade, mesmo assim ela foi interditada, de forma preventiva e temporária, pelo Ministério da Agricultura.

Sobre a salmonela, a BRF afirma que a bactéria é comum em produtos alimentícios de origem animal e que é eliminada com o cozimento adequado dos alimentos.

No caso da carga que era destinada à Europa, havia presença de um tipo de salmonela tolerado pela legislação europeia para carnes in natura e, portanto, não justificaria a proibição de embarque.

Sobre as acusações contra seus executivos, a BRF diz que não compactua com práticas ilícitas e refuta categoricamente qualquer insinuação em contrário. A BRF informa que está acompanhando as investigações e dará todo o suporte às autoridades

A empresa afirma que não há papelão algum nos seus produtos e que houve um mal entendido na interpretação do áudio capturado pela PF. O funcionário estava se referindo às embalagens do produto e não ao seu conteúdo.

 

Seara (empresa do grupo JBS)

O que a PF apurou

– Fiscais teriam assinado certificados para exportação de carnes sem fiscalização feita no próprio local. Em troca, teriam recebido produtos da empresa.

– Um funcionário da empresa, que é médico veterinário, estaria prestando serviços no Ministério da Agricultura, onde teria acesso a senhas e login para emitir certificados de exportação.

O que diz a empresa

JBS informa que tem no Brasil 2 mil funcionários treinados para garantir a qualidade de todos os seus produtos, inclusive das marcas Friboi e Seara.

No despacho da Justiça, lembra a empresa, não há menção a irregularidades sanitárias da JBS e nenhuma de suas unidades foi interditada

Nenhum executivo da empresa foi alvo de medidas judiciais. Apenas um funcionário da unidade de Lapa, no Paraná, foi citado na investigação. A JBS não compactua com desvios de conduta e tomará todas as medidas cabíveis.

 

Grupo Peccin

O que a PF apurou

– No despacho judicial, consta que a empresa cometia “falcatruas para não desperdiçar alimentos podres, vencidos, doentes e mal estocados”.

– Gravação de conversa entre sócios mostra uso de cabeça de porco na composição de embutidos — o que é proibido pela legislação.

– O sócios também falam´, segundo a PF, sobre uso de presunto podre, mas que estava sem cheiro, e poderia ser usado para a produção alimentícia.

– Ausência de refrigeração em carreta que carregava carne mecanicamente separada (CMS), usada nos produtos.

– Contatada presença de substâncias químicas acima do permitido por lei e de aditivos não previstos pela legislação para maquiar aspecto das carnes (ácido ascórbico).

– Pagamento de propina a fiscais para que eles ignorassem problemas sanitários.

O que diz a empresa

Em nota publicada em seu site, a empresa lamenta a divulgação precipitada de “inverdades” sobre o seu sistema de produção, sendo que as informações repassadas ao público foram no “afã de justificar os motivos da operação, modificando os fatos e comprometendo a verdade”.

A empresa diz ainda que recebeu com “grande surpresa, consternação e forte repúdio as falsas alegações que culminaram com a prisão preventiva de seus diretores”.

E que se coloca à disposição das autoridades policiais para prestar esclarecimentos e que confia nos órgãos competentes para discernir a veracidade e conclama pela paciência e serenidade da sociedade para o esclarecimento dos fatos verdadeiros.

 

Frigorífico Larissa

O que a PF apurou

– Emissão de notas fiscais falsas.

– Transportar produtos fora da temperatura adequada, troca de etiqueta de produtos vencidos e a colocação no mercado dessa mercadoria.

– Ameaçado de fechamento, dono do frigorífico é acusado de tentar negociar com representantes do Ministério da Agricultura substituição de fiscal

O que diz a empresa

Nenhum representante da empresa foi encontrado.

 

Souza Ramos

O que a PF apurou

– Fornecimento de produtos em desacordo com o contrato para merenda escolar no Paraná (forneceu salsicha de frango em vez de salsicha de peru).

– Irregularidades na fiscalização das atividades da empresa.

O que diz a empresa

– Empresa diz em nota que colabora com as investigações e segue as exigências de qualidade

– Empresa diz ser importante “que se desvincule a ideia de que todas as empresas investigadas pela polícia, de fato adulterem e/ou burlem a lei”

– Nunca houve uso de carne estragada, que pudesse prejudicar a saúde dos seus consumidores. Lote de salsichas foi recebido pela Secretaria de Educação do Paraná que o atestou como próprio para o consumo.

 

Mastercarnes

O que a PF apurou

– Injeção de líquidos em frangos da empresa e irregularidades na fiscalização.

– Assinatura de certificados de qualidade sem fiscalização prévia.

O que diz a empresa

Empresa diz que tem certificação do ministério, e é auditada e fiscalizada pelo órgão. Produtos fornecidos por nossas empresas seguem a risca as exigências de qualidade.

 

Dagranja Agroindustrial

O que a PF apurou

– Assinatura de certificados de qualidade sem fiscalização no local mediante corrupção de fiscais.

O que diz a empresa

Ninguém da empresa foi localizado.

 

Grupo Argus

O que a PF apurou

– Assinatura de certificados de qualidade sem fiscalização no local.

O que diz a empresa

Em nota, o Grupo Argus sustenta de maneira irrestrita instalações plenamente administradas pelo SIF e seus técnicos, sem interferir em qualquer hipótese em suas diligências, tampouco solicitando quaisquer favorecimentos e/ou outras ilicitudes em detrimento da qualidade de seus produtos, tendo o mesmo SIF total autonomia para fiscalizar sua planta industrial.

 

Frigobeto Frigorífico

O que a PF apurou

– Sócios são acusados de pagar propina para fiscais em troca de uma licença em tempo recorde para abate de carne de cavalo.

O que diz a empresa

Com ordem de prisão preventiva decretada, os sócios estão foragidos.

 

Frigorífico Oregon

O que a PF apurou

– Seria beneficiado pela licença para abate de cavalos em tempo recorde, supostamente também em razão de suborno de autoridades.

O que diz a empresa

Nenhum representante da empresa foi encontrado.

 

Frigomax

O que a PF apurou

– Irregularidades nas atividades da empresa, como poluição de um rio que passa ao lado.

O que diz a empresa

Advogado da empresa ainda estuda posicionamento.

 

Frigorífico Rainha da Paz

O que a PF apurou

Pagamento de propina a fiscais para acobertar irregularidades na empresa

O que diz a empresa

Mantém rigoroso controle de qualidade e higiene em seu processo produtivo e cumpre normas sanitárias vigentes. Repudia comercialização de produtos impróprios para consumo e nega envolvimento em atos ilícitos.

 

Novilho Nobre

O que a PF apurou

Irregularidades nas fiscalização de seus produtos.

O que diz a empresa

Em nota, empresa diz que produto fornecidos seguem a risca as exigências de qualidade.

 

Fábrica de Farinha de Carne Castro Ltda

O que a PF apurou

Recebeu carga de salsicha estragada da Central de Carnes Paranaense.

O que diz a empresa

Nenhum representante da empresa foi encontrado.

 

Outras empresas

Também são citadas no documento da Justiça as empresas Frango a Gosto, Frigorífico 3D e Fratelli que teriam fornecido frango, carne e até botas de borracha a pedido de fiscais do Ministério da Agricultura.

Nenhum representante das empresas foi encontrado. A SmartMeal e a Unidos Comércio de Alimentos foram alvo de busca e apreensão de documentos sob suspeita de terem ligações com fiscais do Ministério da Agricultura para cometer irregularidades. A Central de Carnes Paranaense também é citada e é dona das marcas Mastercarnes, Novilho Nobre e Souza Ramos.

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