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Brasil Saiba por que a primeira pessoa infectada pelo coronavírus no Brasil pode nunca ser descoberta

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O número de mortes por conta da Covid-19 também já é maior do que duas vezes a somatória do número de mortes por tuberculose, dengue, febre amarela e chikungunya em 2018. (Foto: Reprodução)

O primeiro caso do novo coronavírus em território brasileiro talvez nunca seja descoberto. Ao menos é o que afirmam especialistas ouvidos pela BBC News Brasil. Segundo médicos e estudiosos que pesquisam a trajetória do Sars-Cov-2 (nome oficial do vírus), é muito provável que já houvesse casos no país antes do primeiro paciente confirmado.

Um empresário de 61 anos é considerado o primeiro diagnóstico no Brasil. Ele testou positivo para a covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, em 25 de fevereiro, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo (SP). O paciente havia retornado do norte da Itália, região que começava a enfrentar uma explosão de casos de Sars-Cov-2. Ele tinha sintomas como febre e tosse seca — cerca de duas semanas depois do diagnóstico, o paciente se recuperou, segundo o Governo de São Paulo.

Mas especialistas apontam que é pouco provável que o empresário de 61 anos tenha sido a primeira pessoa a pisar em solo brasileiro com o novo coronavírus — cujos casos tiveram início em Wuhan, na China.

Em meio ao crescimento exponencial de registros no Brasil, estudiosos consideram que é difícil afirmar com precisão o primeiro caso do país. Entre os motivos para que possa ter havido casos que não foram descobertos anteriormente estão a falta de orientações de autoridades antes do primeiro diagnóstico, a grande quantidade de pacientes assintomáticos e o fato de que o novo coronavírus pode ter sido confundido com outros problemas respiratórios.

Uma das principais alternativas para descobrir casos anteriores aos primeiros diagnósticos é o teste de anticorpos, que permite descobrir se a pessoa teve o coronavírus anteriormente. Isso ajuda a entender a rapidez da propagação do vírus e possíveis casos que não foram diagnosticados. Esses exames, porém, ainda são incipientes no Brasil.

Outro método importante no estudo sobre a origem do coronavírus no Brasil é o sequenciamento do genoma do vírus, que esclarece aspectos como de quais países vieram os casos brasileiros e a evolução do Sars-Cov-2 por aqui.

Enquanto especialistas estudam as portas de entrada do vírus em diferentes países — em todo o mundo, até o momento são mais de 2 milhões de casos e 150 mil mortes —, uma pergunta importante sobre a origem da pandemia ainda não foi respondida: a identidade do paciente “zero” na China.

Primeiro caso virou polêmica no Brasil

No início de abril, uma informação do Ministério da Saúde causou polêmica em torno do primeiro caso do novo coronavírus no Brasil. Isso porque a pasta divulgou que a primeira morte em decorrência do vírus no país fora registrada em 23 de janeiro, em Minas Gerais, quase dois meses antes do primeiro óbito confirmado oficialmente.

No dia seguinte, porém, o ministério retificou a informação. A pasta afirmou que o óbito foi registrado em 23 de março e justificou que houve uma falha de digitação, por isso informara erroneamente que teria sido em janeiro.

Ao corrigir a informação, durante coletiva de imprensa, o então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que é possível que o vírus já circulasse no país em dezembro passado ou janeiro. Mandetta argumentou que a China ainda está descobrindo casos que ocorreram no começo de dezembro. Por se tratar de um país grande, segundo o ex-ministro, o vírus pode ter se propagado para outras regiões do mundo ainda quando não existia um diagnóstico.

Para especialistas, um dos fatos que colaboram para que a primeira pessoa com o coronavírus no Brasil não tenha sido diagnosticada é a demora de autoridades brasileiras para tomar as primeiras medidas de enfrentamento, mesmo com casos do Sars-Cov-2 passando a ser registrados ao redor do mundo desde janeiro.

Estudos apontam que a taxa de pacientes assintomáticos pode chegar a 70% em algumas idades. O número depende, conforme pesquisadores, da faixa etária. Os mais jovens são maioria entre os casos sem sintomas.

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