Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 30 de dezembro de 2015
Diga-se o que quiser do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O fato é que ele tem sido insuperável na arte de montar alianças duvidosas e de trilhar os atalhos da impunidade. Agora, por exemplo, se fica sabendo que a Comissão de Constituição e Justiça da Casa poderá anular todo o trabalho feito desde 3 de novembro no Conselho de Ética, onde Cunha corre o risco de ser acusado de quebra de decoro parlamentar e de perder o mandato, se assim vier a decidir o plenário da Câmara.
O peemedebista e suas várias manobras regimentais, apoiadas por um time multipartidário de parlamentares, são o melhor exemplo do despudor que impera hoje na Casa, colocada a serviço de inescrupulosos interesses pessoais e partidários.
Cunha é certamente o maior e mais temível adversário que a presidenta Dilma Rousseff tem hoje. Isso seria razão suficiente para que o Planalto e os petistas se empenhassem a fundo para que, antes que Dilma venha a tropeçar no processo de impeachment, ele seja afastado e tenha o mandato cassado. De fato, para efeitos externos, a posição das lideranças do PT é claramente hostil a ele.
Mas a política também se alimenta de contradições, e ocorre que o verdadeiro interesse do governo é que Cunha permaneça onde está, até porque o Supremo Tribunal Federal já o desarmou em relação ao impeachment. Ele foi escolhido pelos estrategistas palacianos para representar, na luta contra o impedimento, o oposto da mulher honesta que luta pelos pobres. Essa estratégia tem surtido algum efeito, já que a última pesquisa de opinião revela um ligeiro crescimento do apoio à presidenta. Pelo menos até fevereiro, portanto, Dilma continuará tendo a quem acusar para se defender do impeachment. (AE)
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