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Brasil Saiba quais são as principais diferenças entre a pesquisa de intenção de voto feita por telefone ou na presença do eleitor

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Cada modalidade apresenta vantagens e limitações específicas. (Foto: Reprodução)

Em meio ao avanço da corrida eleitoral, as pesquisas de intenções de voto se proliferam com rapidez cada vez maior. Com base em critérios de metodologia, esse tipo de levantamento pode ser realizado de forma presencial ou de sondagem por telefone.

Entenda, a seguir, as diferenças entre as modalidades. E também quais as suas limitações e as principais vantagens de cada uma.

Amostra

Institutos como o Ibope e o Datafolha realizam levantamentos face-a-face. Já o Ipespe, por exemplo, faz estudos via telefone. Para a executiva do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari, a pesquisa presencial é a única que inclui todas as estratificações de eleitores.

“Entre 10% e 11% do eleitorado não possui celular”, explica. “Supondo que essas pessoas sejam da classe mais baixa, o resultado que vem de uma pesquisa telefônica pode vir a mostrar uma tendência de voto diferente.”

A solução nesse caso, defendem analistas, seria ampliar o número de número de pessoas ouvidas via telefone. Mas, com isso, esse tipo pesquisa pode perder um de seus principais atrativos: o custo.

“Por teoria estatística, quanto maior a amostra, menor o erro. Mas isso implica em um custo adicional. É possível remediar estas questões, mas a demanda é por um investimento maior”, diz o professor de finanças Hilton Notini, do Ibmec/SP.

No entanto, institutos que realizam levantamentos via telefone alegam que conseguem ter acesso a áreas de risco ou de acesso restrito, como favelas e condomínios, cujo entrevistador presencial pode ter dificuldade de adentrar.

“Nesses casos, nós buscamos mecanismos para conseguir entrar”, observa Márcia. “Em condomínios, podemos enviar uma carta ao síndico. Em comunidades, fazemos contato com presidentes de associações ou ficamos na região, em uma área segura, e abordamos as pessoas.”

Escolha

A ordem como aparece os candidatos também tende a influenciar na escolha do entrevistado. Para minimizar este risco, os institutos que fazem pesquisas presenciais costumam apresentar ao entrevistado um disco com todos os candidatos.

Já pelo telefone costuma ser utilizado o sistema de URA (Unidade de Resposta Audível), por meio da qual um atendente eletrônico diz em gravação a opção numérica correspondente ao candidato.

Em uma campanha eleitoral com 13 postulantes ao Palácio do Planalto, no entanto, a limitação do teclado numérico (0 a 9) pode ser um empecilho para a isonomia do levantamento. Uma das saídas para diminuir esta espécie de ruído estatístico é diminuir o cenário de opções para a intenção de voto. Na mais recente pesquisa, por exemplo, um instituto testou o nome de seis candidatos.

Confortabilidade

Os especialistas avaliam que uma das vantagens do método telefônico é poder deixar o eleitor mais à vontade com a opção que ele queira, especialmente em um ambiente tão polarizado quanto o do Brasil atual. “O voto envergonhado, enrustido, pode surgir neste momento”, diz professora de análise estatística da Universidade Presbiteriana Mackenzie Raquel Cymrot.

Márcia Cavallari explica que para deixar o eleitor mais confortável com a opção dele, o entrevistador do Ibope preenche o questionário e depois deixa que o entrevistado preencha as opções no tablet.

Histórico

Hilton Notini, do Ibmec, pondera que mesmo havendo uma série de opções de modelos de pesquisa, é difícil inviabilizar um método: “O que é necessário um tratamento pós-pesquisa muito grande, dado o risco. Mas nós ainda não temos uma longa amostra das pesquisas via telefone. Já as presenciais, como Ibope e Datafolha, tem bom nível de acerto”.

Raquel Cymrot, do Mackenzie, diz que é necessário cobrar dos institutos que fazem pesquisas pelo método não-presencial a garantia da diminuição dos erros. “Pela própria matemática, todo instituto tem direito de errar. Mas um instituto vende credibilidade”, afirma.

 

 

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