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Brasil Saiba quem é José Yunes, um dos amigos de Michel Temer presos pela Polícia Federal

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O advogado tem uma trajetória ligada a Temer desde a década de 1950. (Foto: Reprodução)

Preso nessa quinta-feira pela PF (Polícia Federal), o advogado José Yunes, 80 anos, é um dos amigos do presidente Michel Temer citados no inquérito que investiga o emedebista, o ex-assessor presidencial Rodrigo Rocha Loures (o “deputado da mala”) e um sócio e um diretor da empresa Rodrimar, que teria sido beneficiada pela edição do chamado “decreto dos portos”.

A investigação apura se o chefe do Executivo praticou os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Editado em maio do ano passado, o decreto suspeito ampliou de 25 para 35 anos os prazos dos contratos de concessão e arrendamento de empresas que atuam em portos e permitiu que eles possam ser prorrogados até o limite de 70 anos.

“Isso é um absurdo”, protestou Yunes nessa quinta-feira sobre a prisão, ordenada pelo ministro Luis Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal). “É um caso em que eu já depus e tudo”, afirmou.

Trajetória

Yunes e Temer são amigos há mais de seis décadas. Eles se conheceram no final dos anos 1950, na Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo). Yunes também participou, ao lado de Temer, da Assembleia Nacional Constituinte, em 1987, na condição de deputado federal suplente, quando encerrou a sua carreira com mandatos eletivos.

Nos anos seguintes, o empresário se dedicou ao seu escritório de advocacia e às suas empresas do ramo imobiliário. Mesmo longe da política, manteve sólidos os laços com Temer: o escritório do presidente em São Paulo, por exemplo, no luxuoso bairro do Itaim-Bibi, está localizado em um edifício de propriedade de uma empresa da família de Yunes.

Temer também comprou do advogado um imóvel no elegante bairro paulistano Alto de Pinheiros. Yunes também deteve, de 2013 a 2016, uma procuração para “celebrar quaisquer contratos, depositar e retirar dinheiro, endossar e assinar cheques, autorizar transferências eletrônicas e pagamentos, tomar saques e reconhecer saldos” de contas bancárias do emedebista.

Quando Temer assumiu a vice-presidência durante o governo de Dilma Rousseff (2011-2016) e posteriormente o Palácio do Planalto com o impeachment da petista, o empresário foi alçado à chefia do diretório municipal do PMDB (hoje MDB) em São Paulo. À frente da legenda na maior capital do País, ele coordenou a derrotada campanha de Marta Suplicy à prefeitura em 2016.

Yunes alçaria voos ainda mais altos dentro do partido: ao assumir a presidência da República, em 2016, Temer nomeou o amigo para o cargo de assessor especial. Não durou muito: em dezembro daquele ano, Yunes foi a primeira baixa provocada no governo pela delação do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho. O empresário entregou sua carta de demissão após o colaborador da Justiça afirmar ter pago a ele, em espécie, parte dos 10 milhões de reais repassados durante a campanha de 2014 ao PMDB. O dinheiro teria sido entregue no escritório de Yunes, em São Paulo.

“Nos últimos dias, vi o meu nome jogado no lamaçal de uma abjeta delação, segundo a qual teria eu recebido parcela de recursos financeiros em espécie de uma doação destinada ao partido. Rejeito com a força de minha indignação essa ignominiosa versão”, escreveu Yunes na época. Em seu pedido de demissão ele faz questão de lembrar a profunda amizade com Temer, que viria desde “os heroicos tempos nas Arcadas do Largo de São Francisco”.

Mais à frente, ele afirma que o presidente tem nele “o leal amigo que o acompanha há décadas e que o admira por suas incomparáveis qualidades”, dentre as quais “a sapiência, o respeito pelo outro, a determinação de fazer as grandes reformas que o país exige e a vontade férrea de pacificar a Nação”.

Depois do afastamento, Yunes mostrou ressentimento com o atual ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, outro homem forte de Temer. Yunes teria dito que o titular da pasta o fez de “mula” ao pedir que ele recebesse um “pacote” em seu escritório em 2014. O emissário da encomenda teria sido o Lúcio Funaro, um operador financeiro do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (MDB-RJ).

 

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