Sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 15 de novembro de 2018
Ao decidir manter Mansueto de Almeida no comando da Secretaria do Tesouro Nacional, o futuro “superministro” da Economia de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, reforça o perfil liberal de sua equipe, na avaliação de analistas de economia e política. Mansueto é um dos idealizadores da regra do teto de gastos e um crítico feroz da política de subsídios implementada durante os quatro governos petistas consecutivos (2003-2016).
Considerado um especialista competente em finanças públicas, Mansueto saiu da função de pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em 2016 para integrar o “time dos sonhos” formado pelo ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles. Assumiu primeiro a Secretaria de Acompanhamento Econômico e depois o Tesouro Nacional.
Mansueto foi um dos principais porta-vozes do governo de Michel Temer em defesa do teto de gastos e também da reforma da Previdência. Apesar de ter um perfil centralizador, Henrique Meirelles deixou o secretário livre para falar sobre esses assuntos, inclusive em redes sociais, durante as discussões das propostas no Congresso Nacional.
Elogios
Segundo fontes internas, os servidores do Tesouro Nacional cobrem o chefe de elogios e, antes da confirmação de Paulo Guedes sobre o nome de Mansueto, já torciam para que ele continuasse no cargo. Um dos argumentos é que o superministro não tem experiência em gestão pública e precisará de alguém que já faça parte da máquina para conduzir a agenda econômica.
A partir de janeiro de 2019, o desafio do comandante do Tesouro Nacional é reequilibrar as contas públicas. Uma das promessas de Bolsonaro durante a campanha eleitoral foi zerar o rombo fiscal brasileiro no primeiro ano de governo. Interlocutores de Mansueto contam que o secretário ficou preocupado com essa promessa, que tem poucas chances de ser cumprida considerando que o déficit primário de 2018 deve ficar pouco abaixo da meta fixada para o ano, de R$ 159 bilhões.
No entanto, depois de conversar com Guedes nas últimas semanas, Mansueto comentou com interlocutores que o achou realista e “pé no chão”. Esse foi o primeiro sinal de que aceitaria um convite para permanecer.
Trajetória
Funcionário de carreira Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Manuseto é mestre em economia pela USP (Universidade de São Paulo) e cursou doutorado em políticas públicas na universidade de Cambridge, em Massachusetts (Estados Unidos).
Em declarações recentes, ele disse que a fusão e extinção de ministérios fará pouca diferença no orçamento federal e que o ajuste fiscal terá de passar obrigatoriamente pela reforma da Previdência Social, para que o País volte a crescer e a gerar empregos.
O secretário do Tesouro também é próximo aos tucanos, devido às suas ligações com os governos do PSDB. Ele teve papel ativo na equipe montada pelo economista e ex-ministro Armínio Fraga que deu apoio econômico à candidatura de Aécio Neves nas eleições de 2014.
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