Terça-feira, 03 de março de 2026
Por Redação O Sul | 28 de fevereiro de 2026
O homem mais poderoso do Irã, o líder supremo e aiatolá Ali Khamenei, tem 86 anos. Ele está no cargo há 35 anos
Foto: Escritório do líder supremo do IrãApós confirmar uma série de ataques contra o Irã nste sábado (28), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o objetivo da ofensiva é “defender o povo americano” de “ameaças do governo iraniano”.
O homem mais poderoso do Irã, o líder supremo e aiatolá Ali Khamenei, tem 86 anos. Ele está no cargo há 35 anos, e acumula a posição de líder religioso e político. É tanto chefe de Estado como comandante-chefe e tem a palavra final sobre políticas públicas do país.
Khamenei chegou a passar cinco anos sem fazer uma aparição pública – jejum quebrado em outubro de 2024, quando proferiu um sermão numa mesquita de Teerã após militares de Israel matarem seu antigo aliado Hassan Nasrallah, que comandou a milícia libanesa Hezbollah por mais de três décadas.
Khamenei estruturou a máquina pública iraniana de forma a assegurar seu controle, e já demonstrou ser capaz de atravessar diversas crises com vizinhos da região e potências ocidentais. Ele é o mais longevo chefe de Estado do Oriente Médio.
Como virou líder supremo
Nascido em 1939 na cidade de Mashhad, no leste do Irã, Khamenei teve seus anos de formação religiosa e política na década de 60, envolvido nos movimentos que questionavam o regime do então xá Mohammad Reza Pahlevi.
Ele estudou religião em Qom, quando sofreu forte influência do pensamento do aiatolá Ruhollah Khomeini, que liderava a oposição conservadora a partir do exílio. Ele se aproximou do movimento de Khomeini e logo estava ajudando a organizá-lo e executando missões em território iraniano.
Nessa época, Khamenei se aprofundou em teorias anti-coloniais e anti-ocidentais, e traduziu livros do egípcio Sayyid Qutb, um influente intelectual do fundamentalismo islâmico, segundo um perfil publicado pelo jornal britânico The Guardian.
Ele participou dos protestos de 1978 que antecederam a Revolução Iraniana no ano seguinte, e tornou-se aliado próximo de Khomeini. Em 1980, quando Khomeini já era líder supremo do Irã, escolheu-o para ser o imã que faria a tradicional oração de sexta-feira em Teerã.
Em junho de 1981, Khamenei sofreu um atentado a bomba que deixou seu braço direito paralisado para sempre. Quatro meses depois, foi eleito presidente do Irã, com 95% dos votos.
Na época, apenas quatro candidatos foram autorizados a concorrer, e os demais três eram apoiadores de Khamenei. Ele ascendeu ao posto aos 42 anos de idade – e foi o primeiro clérigo a assumir o cargo, consolidando o domínio deles sobre o Estado.
Em 1985, foi reeleito, e exerceu o cargo até 1989, quando seu líder e mentor, Khomeini, morreu de ataque cardíaco. O nome considerado favorito para assumir o posto de líder supremo era o aiatolá Hussein Ali Montazeri – que, no entanto, havia caído em desgraça dois meses e meio antes da morte de Khomeini por criticar publicamente violações de direitos humanos cometidas pelo regime iraniano.
O órgão responsável pela escolha do líder supremo, a Assembleia dos Peritos, decidiu de comum acordo que Khamenei assumiria o cargo – consta que Khomeini o havia escolhido como sucessor.
Para empossar Khamenei, foi necessário fazer uma manobra. Na época, ele não tinha o grau de marja, reservado aos grandes aiatolás e exigido pela Constituição para ser líder supremo. Foi então nomeado de forma temporária, a Assembleia dos Peritos alterou a Constituição, e em seguida o confirmou no cargo.
Em 2018, um vídeo da reunião secreta de 1989 que levou a essa escolha vazou para a imprensa, revelando um Khamenei incrédulo e inseguro com a escolha.
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Pode ver que nessas guerras tem sempre religião no meio. Acho ignorância total isso! Usam a religião para matar os outros, deveria ser o contrário!
É filho do demônio!