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Política Saiba quem é um dos suspeitos da invasão do perfil de Janja com ataques misóginos

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A primeira-dama Janja da Silva representará o presidente Lula na abertura da Olimpíada de Paris, em 26 de julho. (Foto: Bob Wolfenson)

Um dos alvos da operação feita pela Polícia Federal (PF) contra os suspeitos de invadirem a conta da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, no X (antigo Twitter) é produtor de conteúdo de viés nazista, misógino e racista na internet.

O perfil de Janja foi invadido na noite de segunda-feira (11) e tomado por xingamentos. O ataque hacker foi anunciado às 21h37. Além da PF, a plataforma também foi acionada. Cerca de uma hora depois, as mensagens com ataques e ofensas foram apagadas.

A PF cumpriu quatro mandados de busca e apreensão na tarde de terça (12) para apurar o caso. Um dos endereços é residência de João Vítor Corrêa Ferreira, de 25 anos e morador de Ribeirão das Neves (MG). Ele é dono do perfil intitulado “Maníaco” em redes sociais como YouTube, Deezer e Facebook, por exemplo, com foco em produção de música.

No Spotify, ele tem 4,4 mil ouvintes mensais e quatro álbuns com letras abertamente ofensivas. Ele é classificado como “artista verificado” pela plataforma, o que confere certo grau de profissionalismo diante da plataforma.

Um dos seus álbuns traz o lema de separatistas dos estados da Região Sul, “O Sul é meu país”, e uma canção chamada “Ariano”, que defende a pureza da raça ariana e ataca a miscigenação. É a mesma tese que embasou as políticas implementadas por Adolf Hitler na Alemanha nazista.

A conta tem músicas com apologia à violência de gênero. Uma delas (“Mulher gosta de porrada”, do álbum “Incel pardo”) diz que mulheres gostam de apanhar e descreve uma cena em que um homem é morto ao tentar apartar “um camarada quebrando sua mulher na porrada”. Outra (“Inflação do mercado bucetal”), que “mulher se resume a dois meros buracos”.

Numa terceira música (“Macumba”) – todas elas de rock – , o autor associa religiões de matriz africana, nordestinos, negros e a África à pobreza. Há muitas menções depreciativas a pessoas pardas e pretas.

O dono do perfil diz, na descrição, que suas letras exploram “desde temas explícitos, perversidade da mente humana, enigmas abstratos até sátiras ácidas”, mas elas se limitam, na verdade, a discurso de ódio.

Mulheres e negros são o principal alvo do perfil. Além da objetificação sexual, a “mulher perfeita” é descrita pelo autor da música como alguém “sem amigos homens, apenas amigas”, “submissa e obediente” e “disponível sempre para agradar”, além de outras características físicas. Ataques a pessoas transgênero também estão presentes.

O perfil foi removido nessa quarta-feira (13) pelo Spotify. A empresa afirmou que “suas nossas regras de plataforma de longa data deixam claro que não permitimos conteúdo que promova o extremismo violento ou conteúdo que incite à violência ou ao ódio contra um grupo de pessoas com base no sexo. Após análise, removemos diversas músicas por violarem nossas políticas. Como sempre, o contexto é importante e o conteúdo que não incita claramente à violência ou ao ódio poderia permanecer na plataforma.”

Perguntada sobre por que e como esse perfil conseguiu conta verificada, uma vez que descumpre as regras da plataforma, a empresa afirmou que os perfis dos artistas recebem a marca de seleção azul automaticamente assim que o perfil é reivindicado no Spotify for Artists e, portanto, não seria um endosso ao artista.

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