Terça-feira, 17 de março de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Carlos Roberto Schwartsmann Saúde, descendo a ladeira

Compartilhe esta notícia:

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Sem ser apocalíptico e aceitando opiniões contrárias, acho que a desafortunada saúde no Brasil iniciou a sua decadência após 3 decisões maléficas marcantes na nossa história:

A Municipalização, o programa mais médicos (PMM) e a “Universidade para todos”.

A constituição de 1998, que nos deu mais direitos e menos deveres, municipalizou a saúde. O governo federal, o grande gerenciador da saúde no nosso país dividiu sua responsabilidade com os estados e municípios. Foi criado o SUS, uma boa ideia! Entretanto esquecemos que somos 5.570 municípios. Completamente heterogêneos. Somos diferentes na dimensão, na população, na economia e nos recursos humanos.

O governo central detém 60% da arrecadação de tributos e arca com 40% do financiamento do SUS.

Os municípios arrecadam 17% da carga tributária brasileira. Se responsabilizam por 32% do aporte financeiro SUS.

Este financiamento é regulado por uma tabela que é referência de pagamento para médicos, hospitais e fornecedores.

Ele tem sido lentamente sufocado, pois a tabela tem reajustes minguados, insuficientes e inconstantes.

Hoje a defasagem é tão grande que a Santa Casa de Porto Alegre perde anualmente 140 milhões atendendo o SUS!!

O segundo torpedo lançado contra a saúde do brasileiro foi o programa mais médicos de 2013. O Brasil, desprestigiando os médicos brasileiros, contratou 18.000 cubanos.

A desenvergonhada política, com viés financeiro, permitiu que médicos estrangeiros sem qualificação profissional atuassem no país. No exame médico do “REVALIDA” somente 28% foram aprovados.

No Uruguai foram todos reprovados.

E finalmente a saúde foi mais enfraquecida ainda com o programa “Universidade para todos” Esta filosofia determinou que desde a virada do século até agora quadruplicássemos o número de faculdades de medicina.

Frustrado e envergonhado, depois de mais de 40 anos lecionando na universidade, reconheço o inimaginável declínio da formação médica.

Hoje estamos liberando médicos com formação deficiente, com pouca experiência clínica e mal lapidados. Logicamente existem inúmeras exceções.

Ciente disto, fico estarrecido e triste ao saber que só no RGS, serão criadas mais de 480 vagas para alunos de medicina. No Brasil, serão quase 20 mil.

A abertura de escolas médicas, sem condições de formar bons profissionais é um negócio bilionário e lucrativo, mas representa sérios riscos à saúde da nossa população.

Hoje a educação médica já é precária por falta de infraestrutura, hospitais e corpo docente.

No futuro ela certamente será pior, incerta e imprevisível.

Na medicina, a qualidade é muito mais importante do que a quantidade.

Só um bom médico é avalista de uma saúde boa.

A nossa está descendo a ladeira!!

Carlos Roberto Schwartsmann – Médico e Professor universitário

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Carlos Roberto Schwartsmann

Sérgio Moro tem prazo para esclarecer “brincadeira” com o ministro Gilmar Mendes
Recado de Lira a Lula: é preciso empenho para votar
Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Pode te interessar

Carlos Roberto Schwartsmann Enamed, era previsível!!

Carlos Roberto Schwartsmann “Free fruits for kids”

Carlos Roberto Schwartsmann Brasil e Austrália

Carlos Roberto Schwartsmann A medicina e o comprometimento