Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 29 de abril de 2020
Um dos maiores produtores de soja do Brasil, Blairo Maggi não vê como iminente a saída da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, do governo. Criticada por uma ala bolsonarista por pertencer ao partido DEM, dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, Tereza Cristina virou alvo de integrantes do governo e agricultores mais radicais.
“A ministra tem apoio dos líderes do agronegócio e da grande maioria do governo. Há pessoas no governo querendo mexer seus pauzinhos para ganhar espaço. Não é uma situação fácil porque ali, mesmo com todo o vento a favor, é difícil trabalhar”, diz Maggi, que foi ministro da Agricultura no governo de Michel Temer.
Maggi fez pesadas críticas a integrantes do governo e do agronegócio que associam os prejuízos com a pandemia do novo coronavírus à China. “Acho totalmente equivocado e de má-fé ir contra o nosso maior parceiro comercial. Se não fosse a presença da China, a agricultura do Brasil não seria do tamanho que é”, disse ele, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. “A tirada de um parceiro importante por causa de uma ideologia política é uma tragédia.”
Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:
– Como o sr. vê as trocas recentes de ministros na Saúde e na Justiça? “Analisando friamente, penso que o presidente (Jair Bolsonaro) ficou numa posição muito complicada nestas duas substituições – saída do Luiz Henrique Mandetta (Saúde) e de Sérgio Moro (Justiça). No fundo, eu enxergo como desafio da autoridade presidencial. Se o presidente não tomar medidas firmes, não mostrar comando, a gente não vai para lugar nenhum. Vira uma bagunça.”
– A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, tem sido alvo de críticas por pertencer ao DEM. O sr. vê risco de saída dela da Pasta? “A ministra tem o apoio dos líderes do agronegócio e da grande maioria do governo. Há pessoas no governo querendo mexer seus pauzinhos para ganhar espaço. Mas eu vejo a Tereza prestigiada pelo governo. Não é uma situação fácil porque ali, mesmo com todo o vento a favor, é difícil trabalhar. Ela estando bem com o Congresso e frente parlamentar (da Agricultura), as chances de ela seguir no governo são grandes.”
– O governo entrou recentemente em rota de colisão com a China. A ministra foi importante para costurar essa boa relação comercial. Como o sr. avalia esta questão? “Acho totalmente equivocado e de má-fé ir contra o nosso maior parceiro comercial. Se não fosse a presença da China, a agricultura do Brasil não seria do tamanho que é. O comércio estar desobstruído é muito importante. Fico muito chateado com agricultores apoiadores do governo que pensam diferente. O governo está aí para nos ajudar e não para nos atrapalhar. A China coloca dinheiro aqui no Brasil e compra nossa mercadoria. Quando falo de crédito, não falo só do dinheiro para plantar soja, milho ou trigo. A tirada de um parceiro importante por causa de uma ideologia política é uma tragédia.”
– Há risco de o País retroceder nesta área? “Conheço bem a China. Estive lá muitas vezes quando era ministro. Não temos nada a ver com a posição política que cada país escolhe. Os chineses gostam muito do protocolo. Não faz sentido o ministro da Educação (Abraham Weintraub), o filho do presidente (Eduardo Bolsonaro) e agricultores falarem mal do País. Só temos a perder com essa política que o Bolsonaro tenta fazer com os Estados Unidos. Temos de ver que, numa negociação maior, os EUA são pragmáticos e podem deixar o Brasil de lado. Esse alinhamento não serve para nós. O Brasil tem de olhar de forma pragmática. Quando era ministro, a nossa chancelaria sempre tentava dar tranquilidade aos chineses e explicávamos que não estávamos alinhados com ninguém. Infelizmente, me parece que isso ficou esquecido e é preciso recuperar. O Brasil não pode abrir mão da China e de nenhum país.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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