Finalizadas as vistorias em perímetro de 10 quilômetros de um sítio de subsistência no município de Selbach (Região do Alto Jacuí, no Norte gaúcho), a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) considera extinto o mais recente foco de gripe aviária no Rio Grande do Sul. Foram 70 propriedades percorridas pelo Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA) da pasta, incluindo uma granja comercial sem aves.
“Não houve qualquer suspeita, então podemos dizer que o foco está encerrado”, declarou a diretora do DDA/Seapi, Rosane Collares. Ainda segundo ela, equipes vistoriaram as propriedades, conversaram com os produtores, fizeram questionário de checagem e uma inspeção clínica para verificar as condições das aves.
O titular da Seapi, Márcio Madalena, também se manifestou: “A agilidade na condução dos trabalhos é resultado da experiência que acumulamos ao longo dos últimos anos, desde o primeiro foco de gripe aviária no Estado, em 2023, na Reserva do Taim”.
Márcio acrescenta que o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul apresenta alta competência para atuar em emergências sanitárias: “Em menos de 24 horas, vistoriou todas as propriedades em um raio de 3 quilômetros em torno do foco dad doença. Essa capacidade de mobilização e resposta rápida é fundamental para conter a doença e proteger a avicultura gaúcha”.
Equipes do DDA/Seapi também trabalharam em casas agropecuárias e na conscientização da comunidade. De acordo com Rosane Collares, agora, mesmo com o fim do foco, as equipes locais vão seguir mantendo o nível de atenção e fazendo vistorias nas propriedades.
O novo caso havia sido confirmado por laudo do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas (LFDA-SP), na segunda-feira passada (5), quatro dias após uma equipe da DDA atender o caso e encaminhar amostras ao Laboratório.
A Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) preconiza que casos detectados exclusivamente em aves de subsistência não alteram o status sanitário do Brasil como país livre de gripe aviária, visto que essa classificação restringe-se à produção avícola comercial. Portanto, as exportações do setor produtivo permanecem protegidas, desde que o vírus não atinja granjas comerciais.
Entenda
Também conhecida como “influenza aviária”, a gripe aviária é uma doença viral altamente contagiosa e que afeta principalmente aves. Mas também pode infectar mamíferos, cães, gatos, outros animais – em humanos a ocorrência é estatisticamente mais rara.
Dentre as principais recomendações está a de se evitar aproximção e tentativas de socorro a animais feridos, doentes ou mortos. Se animais apresentarem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em determinada área, o fato deve ser imediatamente notificado à Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou por meio do envio de mensagem pelo aplicativo WhatsApp – o número é (51) 98445-2033.
Casos anteriores
Em julho, um foco de influenza aviária de alta patogenicidade foi identificado em Coqueiros do Sul (Noroeste gaúcho). A doença havia atingido aves domésticas de subsistência.
Também houve neste ano uma suspeita de casos no Parque Zoológico de Sapucaia do Sul (Região Metropolitana de Porto Alegre). Mas hipótese não se confirmou nos testes, que apontaram botulismo, enfermidade associada a toxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum. Em caráter preventivo, a instituição chegou a permanecer fechada ao público durante quase um mês, entre maio e junho.
(Marcello Campos)
