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Economia Selic: maioria dos analistas projeta corte da taxa básica de juros só a partir de março

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O BC divulga nesta terça-feira (16) o comunicado da reunião da semana passada, que manteve a taxa em 15%. (Foto: Agência Brasil)

O discurso do Banco Central (BC) no comunicado de quarta-feira passada foi lido por boa parte do mercado como ainda bastante conservador e manteve em alta as apostas de que os cortes na Selic (a taxa básica de juros) devem começar apenas em março de 2026. Entre 34 casas consultadas na quinta-feira passada pelo Projeções Broadcast, 17 projetam início do afrouxamento monetário no mês de março, ante 13 que estimam cortes na Selic já em janeiro. Para outras quatro instituições, as reduções na Selic devem ficar para abril.

O BC divulga nesta terça-feira (16) o comunicado da reunião da semana passada, que manteve a taxa em 15%. Antes da decisão da semana passada, a aposta maior do mercado era de que os cortes começariam em janeiro.

Em relatório divulgado na quinta-feira, o BNP Paribas avaliou que o comunicado da reunião de dezembro do Copom manteve o tom cauteloso e paciente, em meio a um processo de desinflação que ainda não se concretizou.

“É importante destacar que a revisão para baixo das expectativas de inflação do BC para 2026 (3,6% para 3,5%) e segundo trimestre de 2027 (3,3% para 3,2%) foi impulsionada por uma atualização nos preços regulados, não nos preços de mercado – a parte da inflação que é mais suscetível a mudanças no nível econômico ou na política monetária restritiva”, observa.

A perspectiva de cortes apenas no mês de março é corroborada pela economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natalie Victal. “Teremos sinais mais claros da desaceleração gradual em curso da atividade na reunião de março do que em janeiro. O nosso cenário-base é de que essa moderação será questionada agora no quarto trimestre”, afirma ela. “Além disso, em março já deveremos ‘sentir um cheiro’ do impacto inicial do Imposto de Renda e alguns indicadores de janeiro”, acrescenta.

A SulAmérica mantém em seu cenário-base a previsão de corte de 0,50 ponto porcentual no juro básico em março e Selic terminal de 11,5% em 2026, mas com assimetria “altista”, a depender de quando as reduções começarem.

A parcela do mercado que vê a porta para afrouxamento monetário aberta em janeiro, porém, se escora no que pode ser considerado pequenos ajustes na comunicação do BC no comunicado da última quarta, além das revisões “baixistas” para as projeções de inflação.

“As pequenas mudanças no comunicado, em especial, a redução na projeção de inflação, indicam espaço para que o BC inicie o ciclo de corte de juros a partir da próxima reunião do Copom, se as condições de contorno estiverem similares ao momento atual”, destacou o Bradesco em relatório. O cenário-base do banco hoje é de um corte inicial de 0,25 ponto porcentual no juro básico em janeiro.

O sócio e fundador da Eytse Estratégia, Sergio Goldenstein, vai na mesma linha e considera que “ajustes pontuais” na comunicação de quarta do BC devem garantir o início de cortes no juro já no próximo encontro do Copom. Ele destaca, por exemplo, que ao avaliar o mercado de trabalho, o BC usou o termo “resiliente” e não mais “dinâmico”.

Além da revisão “baixista” no fronte inflacionário, ele também observa que os dados da economia no terceiro trimestre, quando o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 0,1%, deram mais confiança de que a política monetária está funcionando.

Para a economista do C6 Bank Claudia Moreno, os últimos dados do varejo e inflação, somados ao comunicado do Copom indicam que a Selic deverá ficar parada em janeiro e só começar a cair em março. O setor cresceu 1,1% no conceito ampliado nesta leitura, superando o teto das estimativas coletada pelo Projeções Broadcast, de 0,8%. Também houve surpresa “altista” no conceito restrito, com alta de 0,5%, ante uma mediana de queda de 0,1%.

“Quase todas as categorias tiveram um desempenho positivo no mês, com destaque para veículos, motocicletas, partes e peças (3%), combustíveis e lubrificantes (1,4%) e móveis e eletrodomésticos (1%)”, escreveu Claudia em seu relatório. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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