Terça-feira, 05 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 4 de maio de 2026
Na última sexta-feira, entrou em vigência o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a UE (União Europeia). Após mais de 25 anos de negociações, o entendimento começou a valer para os países do bloco porque seus parlamentos deram sinal verde ao texto selado com os europeus.
Embora existam motivos para comemorar, também há enormes desafios pela frente, admitiu o embaixador Pedro Miguel da Costa e Silva, que comanda a missão do Brasil junto à UE. Se o acordo, atualmente em fase de revisão legal no tribunal da UE a pedido de vários países do bloco, não passar no Parlamento europeu tudo irá por água abaixo.
“O grande desafio é fazer com que os nossos parceiros europeus vejam os fatos e não se pautem pelo discurso fantasioso que os opositores ao acordo criaram”, disse o embaixador, referindo-se especialmente ao lobby dos produtores rurais europeus.
“O que havia para negociar foi negociado. A UE terá que arcar com o custo dessa decisão (caso o texto não passe no Parlamento europeu). O ônus será 100% europeu”, disse o embaixador. Leia abaixo alguns trechos que ele concedeu à coluna de Janaína Figueiredo, do portal de notícias UOL.
– O que ganham os países do Mercosul com a entrada em vigência do acordo de livre comércio com a UE? “No dia 1º de maio entrou em vigência uma redução de tarifas de importação para um universo muito significativo de produtos do Brasil (e dos demais países do Mercosul). Essa redução é maior no caso de produtos manufaturados. Para produtos agrícolas, a redução é menor, por causa das sensibilidades do setor na Europa, mas o importante é que nos dá a chance de diversificar nossa pauta exportadora para a UE, até agora muito concentrada em commodities como petróleo, soja, café, suco de laranja, papel e celulose, entre outros. No caso desses produtos, já somos os principais fornecedores do mercado europeu. O importante, agora, será ampliar a pauta de produtos que vendemos para o mercado europeu, por exemplo, ampliando a exportação de produtos industriais e, em geral, de produtos de maior valor agregado. Expandir a participação no comércio para as pequenas e médias empresas brasileiras.”
– O comércio entre os dois blocos ficará mais simples? “Sim, um segundo benefício é que o acordo tem como objetivo diminuir a burocracia, simplificar e facilitar o comércio.”
– Há mais ganhos no curto prazo? “Sim. Vamos poder gerar novas cadeias de valor, receber mais investimentos. Temos uma ampla agenda positiva com a entrada em vigência do acordo. Do ponto de vista mais macro, o acordo é construído com base em entendimentos multilaterais, sejam eles da OMC (Organização Mundial do Comércio) ou de outros acordos de natureza econômica, seja com base em acordos multilaterais sobre temas como o combate à mudança do clima e a proteção da biodiversidade.”
– Teremos uma relação mais equilibrada? “Estávamos numa desvantagem competitiva. A maioria dos países já assinou acordos com a UE e nós não tínhamos. Ter um acordo com a UE nos dá um novo perfil aqui em Bruxelas e nas 27 capitais dos países que formam a UE. O acordo tem o potencial de transformar a relação.”
– Donald Trump deu um empurrãozinho? “Isso ajudou, sim, a dar um impulso. Mas eu diria que o Mercosul estava pronto há mais tempo do que a UE e seus países membros. O principal obstáculo à conclusão dessas negociações esteve mais do lado europeu, que sempre tinha mais demandas, mais condições. Esse desafio continua, porque o acordo é objeto de enorme oposição na Europa. Como me disse um parlamentar europeu, este acordo será o mais difícil de aprovar no Parlamento europeu. O entendimento foi parar num tribunal, e isso não é fruto do acaso. Isso mostra o equilíbrio de forças, mostra como o Parlamento está dividido. Ainda temos uma tarefa difícil pela frente.”
– Quais são os desafios a partir de agora? “Um dos desafios é garantir que o acordo seja aprovado no Parlamento Europeu, após o tribunal dar um ditame, que esperamos que seja favorável à legalidade do acordo com os tratados europeus. Para isso, é preciso desfazer as narrativas contra o acordo e contra os países do Mercosul.”
– Tem um prazo para o Parlamento Europeu aprovar o acordo? “Em princípio, estimamos que o tribunal decidirá dentro de um ano e meio. Mas não há um prazo preciso. Quando chegar ao Parlamento, pode demorar mais 3 a 6 meses para que haja a votação definitiva. Enquanto isso, o Mercosul já aprovou o acordo definitivamente em todos os seus parlamentos. Para a UE, o acordo está vigente provisoriamente até ser aprovado pelo Parlamento Europeu. Uma das nossas expectativas é que justamente a vigência do acordo desmistifique as várias narrativas falaciosas e fantasiosas dos opositores ao acordo.”
– E se não passar no Parlamento europeu? “Se isso acontecer, acabou. Não haverá mais acordo nem nova negociação, pois as demandas dos opositores são completamente absurdas e inaceitáveis. O que havia para negociar, foi negociado. A UE terá que arcar com o custo dessa decisão. O ônus será 100% europeu.” As informações são do portal de notícias UOL.
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