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Mundo Sem dinheiro, turistas do Brasil não conseguem deixar Dubai

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Turistas brasileiras enfrentam medo, prejuízos financeiros e falta de suporte em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. (Foto: Reprodução)

Turistas brasileiras enfrentam medo, prejuízos financeiros e falta de suporte em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, após o cancelamento de voos causado pela escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.

A guerra atingiu o cotidiano de Dubai após ataques coordenados dos EUA e Israel contra o Irã. A ofensiva, que resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei, gerou retaliações iranianas contra bases norte-americanas no Golfo, incluindo um ataque de drone a um estacionamento próximo ao consulado dos EUA em Dubai.

Turistas buscam rotas alternativas terrestres e aéreas para deixar a região. Enquanto a vida segue aparentemente normal para os moradores locais, grupos de brasileiros discutem saídas via Omã para tentar embarcar para a Turquia, enfrentando preços elevados e logística complexa.

A advogada Nathaly Valuche ficou retida no aeroporto sem aviso prévio da companhia aérea. Ela voltaria ao Rio de Janeiro via Doha, mas descobriu o cancelamento apenas ao chegar ao terminal, após receber alertas de conhecidos no Brasil. “A gente não conseguiu nem entrar. Ali mesmo eu tive que reservar um hotel”, conta Nathaly.

Sem dinheiro, sente até falta de seus remédios controlados, como Rivotril. “Tomo remédio controlado e já estou sem. Não sei como compro Rivotril aqui. Está muito difícil permanecer”, diz a advogada.

O medo de falhas na interceptação de mísseis e a pressão familiar aumentam a tensão. Nathaly comprou uma nova passagem em voo direto, pagando um valor alto, mas teme novo cancelamento e se preocupa com o filho de 12 anos que a espera.

“Nunca vou dizer que pra mim isso aqui é normal. Eu fico em dúvida até quando os Emirados vão ser capazes de interceptar todos os mísseis. Eu não sou rica”, desabafa a advogada.

A diarista Maria Lúcia Ferreira Silva e a filha, Andréia Ferreira Santos, relatam explosões e alertas de mísseis no celular. Moradoras de Cotia (SP), elas descrevem o pânico vivido desde o último sábado (28), quando o conflito se intensificou. “Estamos vivendo dias de muita apreensão aqui. No sábado à tarde ouvimos barulhos muito fortes, pareciam bombas”, diz Maria Lúcia.

Os voos de retorno ao Brasil foram cancelados sucessivamente, gerando custos extras. A passagem de volta, operada pela Qatar Airways com conexão em Doha, estava marcada para segunda-feira (2), foi adiada para o dia 6 e cancelada novamente. “Seguimos sem uma definição concreta de quando conseguiremos retornar ao Brasil”, afirma a diarista.

Mãe e filha afirmam que estão sem dinheiro e sem apoio da embaixada. Elas precisaram mudar para um hotel mais barato para conseguir pagar alimentação e hospedagem por conta própria. “Estamos arcando sozinhas com todos os custos de hotel e alimentação. Até o momento não tivemos nenhum tipo de suporte por parte da embaixada brasileira”, completa Maria Lúcia.

A falta de previsão de retorno cria um cenário de desespero financeiro e emocional. Sem orientações claras das autoridades brasileiras ou locais sobre a normalização do espaço aéreo, o apelo é por uma solução imediata.

“Precisamos ir embora. Nosso dinheiro está acabando e não sabemos o que fazer”, disse Maria Lúcia Ferreira Silva.

O artista brasileiro Gian Gigi Spina testemunhou a interceptação de mísseis da varanda de casa. O relato dele, que reforça o clima de guerra na região, descreve projéteis caindo como bolas de fogo. “Pareciam cometas, bolas de fogo descendo do céu. Vimos um míssil, que de fato caiu, ouvimos os sons e parecia tudo um sonho estranho”, relata Spina.

O governo dos Emirados Árabes Unidos afirma ter interceptado mais de mil ameaças aéreas. As autoridades locais reiteram que o país não participa da guerra, enquanto o Irã declara que seus alvos são apenas bases utilizadas pelos Estados Unidos, e não os países anfitriões.

O que diz o Itamaraty

O Ministério das Relações Exteriores afirmou que monitora a situação por meio das embaixadas. O órgão afirma estar em contato com as comunidades e turistas brasileiros nos diversos países da região.

As embaixadas permanecem à disposição para prestar assistência consular. O atendimento leva em conta as determinações da legislação brasileira e internacional, além da realidade de cada país.

O ministério reforça que emitiu alerta consular sobre a situação. O comunicado contém informações e recomendações sobre como proceder durante a atual escalada de tensões no Oriente Médio. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

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