Sexta-feira, 06 de novembro de 2026
Por Redação O Sul | 6 de novembro de 2026
O processo de impeachment ocorre após a quebra do banco ueno, pertencente ao Grupo Vázquez.
Foto: ReproduçãoO Senado do Paraguai rejeitou nesta sexta-feira (6) o pedido do presidente do país, Santiago Peña, para que adiassem o julgamento do processo de impeachment contra o presidente.
Peña deveria apresentar sua defesa em uma sessão no Senado iniciada nesta sexta, mas pediu mais tempo para preparar argumentos. Em votação na sessão, os senadores rejeitaram o pedido e retomarão o processo de impeachment ainda nesta sexta.
O processo de impeachment, aberto na Câmara dos Deputados também na quinta, corre em paralelo à carta de renúncia apresentada por Peña. Cabe ao Congresso, no entanto, aceitar ou negar a renúncia, e a sessão para julgar o pedido do presidente foi interrompida na quinta.
Já a sessão iniciada nesta sexta é dedicada à apresentação da defesa do presidente. Nesta manhã, no entanto, o presidente paraguaio pediu mais tempo para apresentar sua defesa. Peña solicitou 72 horas adicionais para ler a acusação e preparar seu argumento.
Cinco fases
Segundo Basilio Núñez, presidente do Congresso paraguaio, outras três fases devem acontecer, somando-se cinco. Ele afirmou a jornalistas que não será possível concluir o julgamento em apenas um dia, de modo a cumprir todos os procedimentos e evitar questionamentos jurídicos.
Depois da manifestação de Peña nesta sexta, os senadores deverão analisar as provas apresentadas pela acusação e pela defesa. Na sequência, as partes terão a oportunidade de apresentar seus argumentos finais. Só então os 45 integrantes do Senado votarão o impeachment.
Para afastar Peña definitivamente, serão necessários pelo menos 30 votos favoráveis, o equivalente a dois terços dos senadores. Se condenado, ele perderá o mandato e também deixará de ter direito à condição de senador vitalício.
Caso o impeachment seja aprovado, o vice-presidente Pedro Alliana assumirá a Presidência e deverá concluir o mandato, que termina em agosto de 2028. Se Peña for absolvido, preservará o cargo de senador.
Crise política
O processo de impeachment ocorre após a quebra do banco ueno, pertencente ao Grupo Vázquez. A instituição fechou as portas na última terça-feira (3), depois que o Banco Central paraguaio iniciou sua liquidação por insuficiência de recursos para cobrir as obrigações financeiras.
O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. Peña foi acionista do grupo proprietário da instituição até março de 2025.
Após o escândalo, parlamentares da oposição passaram a acusar o presidente por um suposto conflito de interesses, manipulação de regras e irregularidades envolvendo recursos previdenciários. A acusação também aponta que o Banco Central teria encoberto problemas financeiros da instituição.
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