Sábado, 03 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 3 de março de 2016
Em delação premiada à força-tarefa da Operação Lava-Jato, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) revelou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e de outras testemunhas. As informações foram divulgadas pelo site da revista Istoé, que publicou reportagem com trechos do acordo de delação de Delcídio.
De acordo com os documentos publicados pela revista, o senador também disse que a presidenta Dilma Rousseff usou sua influência para evitar a punição de empreiteiros, ao nomear o ministro Marcelo Navarro para o STJ (Superior Tribunal de Justiça). Delcídio firmou com a Procuradoria-Geral da República o acordo de delação em troca de possível redução da sua pena. O ministro Teori Zavascki, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidirá se homologa ou não a delação.
Em seu relato, Delcídio cita outros senadores e deputados, tanto da base aliada quanto da oposição. Segundo a publicação, Delcídio revelou que Dilma tentou três vezes interferir na Lava-Jato com a ajuda do ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo.
“É indiscutível e inegável a movimentação sistemática do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da própria presidenta Dilma Rousseff no sentido de tentar promover a soltura de réus presos no curso da referida operação”, afirmou o senador. O parlamentar disse, segundo a revista, que a terceira investida de Dilma contra a Lava-Jato foi a nomeação de Navarro para o STJ. “Tal nomeação seria relevante para o governo”, pois o nomeado cuidaria dos “habeas corpus e recursos da Lava-Jato no STJ.”
De acordo com a revista, Delcídio disse que Lula pediu “expressamente” para que ele ajudasse o pecuarista José Carlos Bumlai, porque o empresário estaria implicado nas delações de Fernando Baiano e Cerveró. Para o senador, Bumlai tinha “total intimidade” e exercia o papel de “consigliere” da família Lula, expressão em italiano que remete aos conselheiros dos chefes da máfia italiana. “No caso, Delcídio intermediaria o pagamento de valores à família de Cerveró”, afirma o acordo de delação.
Na conversa com o ex-presidente, de acordo com outro trecho da delação, Delcídio diz que “aceitou intermediar a operação”, mas lhe explicou que “com José Carlos Bumlai seria difícil falar, mas que conversaria com o filho, Maurício Bumlai, com quem mantinha boa relação”. Depois de receber a quantia de Maurício Bumlai, a primeira remessa de R$ 50 mil foi entregue em mãos pelo próprio Delcídio ao advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, também preso pela Lava-Jato.
Críticas
O presidente do PT, Rui Falcão, disse a interlocutores que não pretende se manifestar sobre os termos da delação premiada de Delcídio. Reunida em São Paulo, a cúpula do PT definiu como estratégia, porém, desqualificar o teor das acusações, alegando que o senador está magoado com o partido. (Folhapress)
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