Quarta-feira, 08 de Abril de 2020

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Brasil Sérgio Moro confirmou Maurício Valeixo como futuro diretor-geral da Polícia Federal

Superintendente já foi o número 3 na "linha sucessória" da corporação. (Foto: EBC)

O futuro ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, confirmou o nome de Maurício Valeixo, atual superintendente da Polícia Federal no Paraná, como o próximo diretor-geral da PF (Polícia Federal), em substituição a Rogério Galloro. Moro confirmou também a delegada Érika Marena, superintendente da corporação em Sergipe, como próxima chefe do DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional).

“Valeixo tem a missão de fortalecer a PF e que a corporação possa direcionar as investigações com foco em combate à corrupção e ao crime organizado. São desafios, mas é uma pessoa plenamente capacitada”, disse o ex-juiz federal ao anunciar o nome no comitê de transição do governo em Brasília. O convite havia sido antecipado pela imprensa na última segunda-feira.

Valeixo foi o número 3 da Polícia Federal durante parte da gestão do ex-diretor-geral Leandro Daiello, quando o atual diretor, Rogério Galloro, era o número 2. A avaliação dentro da Polícia Federal é que Valeixo é um bom nome e a escolha dele é vista não como uma ruptura, e sim como uma espécie de continuidade do trabalho que vem sendo desenvolvido no órgão, ao mesmo tempo que demarca a força do grupo de trabalho da Polícia Federal que atua no Paraná, o qual também terá outros integrantes no time de Moro.

A delegada Érika Marena, que coordenou a Operação Lava-Jato em sua origem, foi escolhida por Moro para assumir o DRCI, órgão estratégico para investigações internacionais e cooperação com outros países, sobretudo para desvendar esquemas de lavagem de dinheiro. Segundo Moro, ela é a pessoa mais qualificada no Brasil para atuar nessa área. “Como vimos na Lava-Jato e em outros casos, é muito comum a lavagem de dinheiro no exterior”, disse Moro, ao frisar a importância da função.

Marena foi alvo de questionamentos na Operação Ouvidos Moucos, que prendeu o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luiz Cancellier, que se suicidou apontando a prisão como indevida. Houve críticas quanto a um possível abuso da PF. Uma sindicância aberta na PF, no entanto, apontou que a conduta dela foi adequada. Moro afirmou respaldar absolutamente a conduta da profissional.

“A delegada tem minha plena confiança, o que houve em Florianópolis com o reitor foi uma tragédia, e a família tem toda a solidariedade. Mas foi um infortúnio na investigação e a delegada não tem responsabilidade quanto a isso”, afirmou Moro.

Outro nome da Lava-Jato que pode vir para o time de Moro em Brasília é o delegado federal Marcio Anselmo, o condutor do inquérito original da operação. Moro disse que é um nome possível, mas não está confirmado. Segundo ele, Anselmo trabalha num cargo estratégico na PF. “Existem pessoas de qualidade que passaram na Lava-Jato e todas essas pessoas estão de certa maneira no radar”, disse.

“Eu sempre afirmei que seria tolo se não aproveitasse pessoas que trabalharam comigo na Lava-Jato porque provaram integridade e eficiência”, disse Moro.

Quem também pode entrar na equipe é o próprio diretor-geral Rogério Galloro. Sérgio Moro disse também que o convidará para alguma função no Ministério da Justiça e Segurança Pública, ainda não definida.

Moro também elogiou a permanência de Wagner Rosário como ministro da CGU (Controladoria-Geral da União), posto que já ocupa no governo Michel Temer. A recondução de Rosário foi anunciada nessa terça-feira pelo presidente eleito Jair Bolsonaro. “É uma boa escolha”, elogiou Moro.

Supremo

Mais cedo, Moro esteve no STF (Supremo Tribunal Federal) para encontro com o presidente da corte, ministro Dias Toffoli. Segundo o Supremo, a visita de cortesia foi solicitada por Moro. Foi a primeira vez que Moro esteve no Supremo depois de se exonerar da Justiça Federal do Paraná, onde foi o julgador, na 13ª Vara Federal, dos processos da Lava-Jato.

Toffoli falou com Moro sobre a preocupação dele com o índice de homicídios no Brasil e o atualizou sobre algumas ações do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), como o convênio com o Ministério da Segurança Pública e o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para aquisição de tornozeleiras eletrônicas e cadastro biométrico de presos.

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