Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 30 de setembro de 2026
O Brasil informou a autoridades da França e da Alemanha sobre uma suposta interferência dos Estados Unidos e da Rússia nas eleições brasileiras. O alerta foi feito por integrantes da Abin, o serviço secreto brasileiro, durante uma reunião em Brasília com uma delegação dos dois países, segundo fontes e documentos obtidos pela Reuters.
A delegação francesa e alemã esteve no Brasil entre os dias 9 e 11 de setembro. De acordo com um relatório elaborado por um dos participantes do encontro, representantes da Abin afirmaram que havia interferência tanto dos Estados Unidos quanto da Rússia no processo eleitoral brasileiro.
Segundo o documento, os integrantes da inteligência brasileira disseram que a suposta interferência norte-americana iria “de ações judiciais até interferência abertamente reconhecida”. Não foram apresentados detalhes sobre a alegada atuação russa.
A reunião ocorreu poucos dias antes do primeiro turno da eleição brasileira, marcado para domingo. O pleito é disputado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A possibilidade de interferência dos EUA em favor de Flávio Bolsonaro vinha sendo mencionada durante a campanha. Lula declarou que havia alertado o presidente americano, Donald Trump, para que não interferisse na eleição brasileira.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos não respondeu ao pedido de comentário feito pela Reuters. O governo americano já havia negado anteriormente qualquer tentativa de interferir nas eleições brasileiras. A Abin e a Embaixada da Rússia no Brasil também não responderam às solicitações de comentário. Moscou já negou interferência em eleições de outros países.
Delegação europeia
A visita dos representantes franceses e alemães fazia parte de uma delegação da União Europeia enviada ao Brasil para discutir a implementação da DSA (Lei de Serviços Digitais), legislação do bloco que estabelece regras para plataformas digitais e exige medidas contra conteúdos ilegais e considerados prejudiciais.
Segundo um documento visto pela Reuters, entre os objetivos da viagem estava a preparação de “respostas coordenadas antes das eleições de 2026”.
Pela França, participaram representantes da Viginum, agência responsável pela detecção de campanhas estrangeiras de desinformação, e da Arcom, órgão regulador de mídia e comunicações. A delegação alemã contou com integrantes da Agência Federal de Redes, responsável pela regulação de setores como telecomunicações, energia, ferrovias e serviços postais.
A Arcom confirmou que um de seus representantes participou da visita, assim como a Viginum. A Agência Federal de Redes da Alemanha pontuou que uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições alemãs não foi discutida durante a reunião.
O DSA é alvo de críticas do governo dos Estados Unidos, que afirma que as regras atingem de forma injusta empresas americanas de tecnologia. A passagem da delegação europeia pelo Brasil, portanto, incluiu discussões sobre a aplicação da legislação e sobre medidas relacionadas ao processo eleitoral.
Preocupação com atuação dos EUA
A atuação do governo Trump em apoio a candidatos alinhados ao movimento MAGA (Make Great America Again) tem provocado discussões sobre os limites entre apoio político externo e interferência eleitoral. Segundo a Reuters, os Estados Unidos passaram a apoiar abertamente candidatos ideologicamente alinhados ao governo americano em diferentes países da Europa e da América Latina.
Na França, autoridades têm rejeitado publicamente qualquer interferência dos EUA na política doméstica. Representantes franceses ouvidos pela Reuters avaliam, em caráter privado, que o que ocorre no Brasil pode servir de alerta para a eleição presidencial francesa do próximo ano.
Na Alemanha, autoridades têm criticado regularmente o apoio do governo Trump ao partido AfD (Alternativa para a Alemanha). A legenda de direita radical foi a mais votada em eleições realizadas em dois estados alemães no mês passado, de acordo com a Reuters.
Ataques cibernéticos
Um funcionário brasileiro da área de segurança cibernética que participou da reunião comentou, sob condição de anonimato, que o número de ataques cibernéticos no Brasil quase dobrou em comparação com 2025.
Conforme o funcionário, houve ainda um aumento expressivo de invasões e tentativas de phishing contra o escritório do presidente. Ele classificou essas ações como claramente “relacionadas às eleições”. (Com informações da CNN)
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