Segunda-feira, 05 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 6 de abril de 2024
Sete em cada dez jovens entre 14 e 16 anos, ingressantes no primeiro ano do ensino médio em 2024, pretendem conciliar os estudos com trabalho, segundo mostra uma pesquisa do Datafolha encomendada pela ONG Todos pela Educação.
Entre estudantes da rede pública, a intenção de dividir o dia entre estudo e trabalho chega a 74%, enquanto nas escolas particulares o índice é de 55%. Os alunos entrevistados afirmam ter a expectativa de receber um salário mensal de R$ 860, em média.
As pretensões da maioria dos alunos, indiretamente, afetam os planos de expansão de escolas em tempo integral no ensino médio. Segundo o Datafolha, 33% dos estudantes que não estudam em tempo integral indicaram como principal motivo para isso questões relacionadas ao trabalho. Além disso, 20% dizem ter essa preferência para obter independência financeira e 13% para ajudar a família financeiramente.
O Todos Educação aponta que, segundo dados do Censo Escolar 2023, só 20,4% dos estudantes do Ensino Médio estavam em escolas de tempo integral no Brasil.
Para o diretor de políticas públicas do Todos Pela Educação, Gabriel Corrêa, os dados são importantes para ajudar a pensar em políticas de bolsa e poupança para estudantes do ensino médio, como o recém-lançado “Pé-de-Meia”, do governo federal. “O programa é, sem dúvida, um bom incentivo contra o abandono e a evasão. Mas bolsas maiores atreladas ao tempo integral na escola são muito importantes para viabilizar que jovens mais pobres possam cursar essa jornada expandida”, avalia.
O Datafolha ouviu, presencialmente, 462 pessoas de 14 e 16 anos, de escolas públicas e privadas, em todas as regiões. As entrevistas ocorreram entre 29 de janeiro e 6 de fevereiro. A margem de erro é de cinco pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Pé-de-Meia
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o Ministro de Estado da Educação, Camilo Santana, anunciaram no último dia 25 o pagamento do primeiro incentivo financeiro-educacional do programa Pé-de-Meia, em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília. Estudantes dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal participaram do anúncio e receberam os cartões de suas contas, criadas pela Caixa Econômica Federal, para poderem sacar a primeira parcela da poupança do ensino médio.
Na cerimônia, Lula destacou que o Brasil tem uma dívida eterna com a educação brasileira e que, durante muitos anos, a educação de qualidade e em boas escolas era um privilégio dos estudantes que tinham pais ricos. Ele afirmou que diversos educadores tentaram mudar essa realidade ao longo da história do Brasil, como o educador Paulo Freire. O presidente lamentou que atualmente 480 mil jovens larguem os estudos por ano.
“Isso é muito grave, porque são meio milhão de adolescentes na idade mais extraordinária da vida da gente, a idade que a gente mais sonha, a idade que a gente mais tem aspiração. Um jovem que desiste de ir na escola porque tem que ajudar o pai, tem que ajudar no orçamento da família, tem que ajudar a mãe, esse jovem está jogando fora a perspectiva de um futuro brilhante, de um futuro promissor, de ele fazer uma carreira em uma universidade e virar uma figura intelectualmente importante. Então, surgiu a ideia de criar o Pé-de-Meia”, ressaltou ele na ocasião. As informações são do jornal Valor Econômico e do MEC.
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