Quarta-feira, 12 de Agosto de 2020

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Brasil Sete millhões de alunos da educação básica no Brasil têm dois ou mais anos de atraso escolar

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Dados fazem parte de estudo sobre distorção de idade-série no Brasil. (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

No Brasil, há mais de 35 milhões de estudantes matriculados no ensino fundamental e médio. Entre eles, mais de sete milhões vão à escola, porém estão em situação de “distorção idade-série”, isto é, possuem dois ou mais anos de atraso escolar. Esses dados fazem parte do estudo “Panorama da distorção de idade-série no Brasil”, divulgado nesta quarta-feira (29) pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

O projeto traz um diagnóstico do atraso escolar por etapa de ensino na educação básica. Para elaborar o documento, foram considerados os seguintes aspectos: cor, raça e gênero; regiões brasileiras; áreas rural e urbana e outros recortes territoriais; situação das crianças e adolescentes com deficiência; Censo Escolar 2017 do Inep/MEC.

De acordo com o Unicef, a partir do estudo foi possível identificar que no ensino médio mais de 2,2 milhões de adolescentes estão em situação de distorção idade-série, o que corresponde a 28% dos jovens dessa etapa. Este é o maior percentual de estudantes com dois ou mais anos de atraso escolar.

As regiões brasileiras apresentaram de forma desigual a distorção de idade-série. Segundo a pesquisa, os indicadores mais elevados estão no Norte e Nordeste, com 41% e 36%, respectivamente.

Nas zonas urbanas, as populações indígenas e negras são as mais afetadas no que se refere à taxa de estudantes que estão com dois ou mais anos de atraso escolar: 12,6% são brancos; 9,4% são negros; 33,1% são indígenas.

Na zona rural, o padrão da desigualdade é mais alarmante. Entre os negros e indígenas, a taxa de distorção é de 35,7% e 44,7%, respectivamente, mas entre os brancos fica em 18,2%. Em termos de gênero, ainda na zona rural, foi possível observar que a situação é mais grave no 6º ano, com 50% dos meninos e 30% das meninas matriculados em atraso escolar.

“Os mais afetados pelo atraso escolar são meninas e meninos vindos das camadas mais vulneráveis da população, já privados de outros direitos. Por isso, é urgente desenvolver estratégias específicas para alcançar esses diferentes grupos populacionais”, explica Florence Bauer, representante do Unicef no Brasil.

Caminhos para o avanço

Para reverter este cenário e garantir trajetórias de sucesso escolar, o Unicef sugere no documento os seguintes passos: elaborar análises precisas da situação da distorção idade-série em nível municipal e estadual; estabelecer políticas públicas específicas para combater o fracasso escolar com foco nos mais vulneráveis; desenvolver propostas pedagógicas de atenção especial a estudantes em risco de fracasso e abandono escolar.

O projeto é parte da plataforma “Trajetórias do Sucesso Escolar”, ferramenta digital que apoia os municípios brasileiros a reverter os índices de distorção idade-série em escolas da rede pública do País.

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