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Economia Setores do agronegócio brasileiro que estavam taxados em 50% esperam retomar vendas para os Estados Unidos

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Grandes produtos de exportação do Brasil para os EUA, como carne bovina e café em grão, já estavam isentos do tarifaço desde o final do ano passado. (Foto: Reprodução)

“Voltamos para o jogo”. É assim que o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Café Solúvel (Abics), Aguinaldo Lima, define essa terça-feira (24), dia em que o tarifaço dos EUA sobre quase metade dos produtos brasileiros deixa de valer, graças a uma decisão da Suprema Corte americana, na sexta-feira (20).

Grandes produtos de exportação do Brasil para os EUA, como carne bovina e café em grão, já estavam isentos do tarifaço desde o final do ano passado, mas café solúvel, mel, frutas e pescados ainda sofriam com sobretaxas de 10% e 40%.

Horas após a decisão da Suprema Corte, o presidente americano Donald Trump anunciou uma tarifa global de 10% e, no dia seguinte, elevou a alíquota para 15%. No entanto, a tarifa que entrou efetivamente em vigor é de 10%.

Mas nem isso desanimou os setores que ainda estavam sobretaxados.

O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo, explica que a tarifa do produto brasileiro nos EUA estava maior em relação a outros competidores.

“Agora é a mesma para o mel de todos os países. E se é para todo mundo, não tem problema, porque o nosso mel é muito competitivo”, afirma.

Nem todos os setores do agro sofrerão com a nova taxa global de Trump. Carne bovina, café em grão e suco de laranja estão isentos, segundo decisão da Casa Branca, publicada na sexta.

A seguir, veja como os setores que ainda estavam sobretaxados estão se preparando após a derrubada do tarifaço e a nova taxa de 10%.

– Exportadores de mel esperam retomar contratos: A apicultura brasileira é, basicamente, formada por pequenos produtores que, para conseguirem exportar, vendem a produção para empresas de comércio exterior.

Azevedo conta que as empresas do setor já voltaram a conversar com os clientes americanos e que a expectativa é de que os contratos sejam retomados a partir de março.

“O mel que o Brasil vende para os EUA é o orgânico. Não tem concorrente no mundo que consegue fornecer na escala que a gente fornece. Então, com a tarifa igualada para todos (países), ficamos em vantagem”, diz o presidente da Abemel.

Após o tarifaço, o setor conseguiu exportar para os EUA o que já estava previsto em contratos anteriores, mas não fechou novos negócios, diz Azevedo.

“Houve um grave problema de escoamento e desvalorização do mel no campo. A produção atrasou devido ao clima e, quando ficou pronta, encontrou o mercado travado pelo tarifaço”, destacou.

“Muitos produtores operaram no prejuízo, tentando vender mel para o mercado interno, mas o Brasil não tem capacidade para absorver todo o volume”.

“Cerca de 80% das exportações brasileiras de mel vão para os Estados Unidos, o que torna impossível substituir esse mercado rapidamente por outros países”, acrescentou.

Azevedo afirma que um dos grandes receios do setor era que o consumidor americano deixasse de consumir o mel orgânico brasileiro para comprar o mel tradicional de outros países. Segundo ele, os EUA já estavam comprando mel tradicional de outros mercados.

“Agora mudou a conversa, estamos num cenário mais de otimismo”, destacou.

– Setor de pescados prevê reabrir postos de trabalho: O setor de pescados está otimista em deixar para trás a tarifa de 50% e encarar a nova taxa de 10%, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca).

Os norte-americanos são um importante mercado para o segmento. Em 2024, o país comprou quase metade de todo o pescado brasileiro vendido para o exterior, segundo dados do governo federal. Além disso, os EUA são os principais compradores da tilápia, pescado brasileiro mais exportado em volume.

A tarifa de 50% fez com que o setor perdesse contratos internacionais, diminuísse a produção e tivesse que cortar postos de trabalho, segundo Eduardo Lobo, presidente da Abipesca.

Com a tarifa de 10%, a perspectiva é bem mais favorável.

“A expectativa da entidade é que a normalização parcial das condições comerciais permita a retomada do crescimento já ao longo de 2026, com a recuperação estimada de mais de 5 mil postos de trabalho e recomposição da capacidade produtiva do setor”, afirma a Abipesca.

– Café solúvel “voltou para o jogo”: Para a indústria de café solúvel, a derrubada do tarifaço de 50% representou um “alívio” após seis meses seguidos de perdas nas exportações, diz o diretor-executivo da Abics, Aguinaldo Lima.

“Os Estados Unidos são o maior comprador do café solúvel brasileiro há mais de 60 anos. (…) Nesse período de agosto a janeiro do tarifaço, o volume das exportações caiu 50% e as perdas aumentavam a cada mês”, afirma.

Lima explica que, assim como para os exportadores de mel, a tarifa global de 10% imposta por Trump coloca o Brasil em pé de igualdade com outros competidores.

“Nós voltamos para o jogo. É como se, agora, tivesse tarifa zero para todos. Com todo mundo no mesmo patamar, a gente entra com as mesmas condições de competitividade”, comenta.

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