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Política Simone Tebet chega à convenção com dissidências no MDB, resistências no PSDB e falta de palanques exclusivos

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Divisão em seu partido e afastamento de tucanos contribuem para cenário desfavorável à senadora. (Foto: Agência Senado)

Com resistências internas no MDB, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) chegará à semana em que deve ser confirmada como candidata ao Palácio do Planalto sob desconfiança de que conseguirá manter a aliança com o PSDB, seu principal aliado na disputa. Como previsto, a reprodução regional da aliança nacional acordada há um mês e meio não vem ocorrendo. Dos 15 estados onde ao menos uma das siglas tem candidato ao governo local, em apenas dois (Alagoas e Pará) PSDB e MDB já definiram que estarão juntos na disputa estadual, mas nenhum deles garante palanque exclusivo à emedebista na corrida nacional.

Diante desse cenário, o PSDB já avalia alternativas. O último a negar apoio a emedebista foi o diretório tucano de Minas Gerais, que anunciou que vai propor durante a convenção do partido liberar os candidatos da sigla a apoiarem quem quiserem na disputa nacional. O argumento é que o partido é contrário aos tucanos em sete dos nove estados em que eles indicaram nomes ao governo: Pernambuco, Paraíba, Sergipe, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

Outro questionamento é que a aliança das duas siglas no Rio Grande do Sul e em São Paulo, estados prioritários ao PSDB, ainda não foi completamente firmada e há resistências nas negociações para que o MDB endosse as campanhas de Eduardo Leite e Rodrigo Garcia, respectivamente. Os dois pré-candidatos também já anunciaram que, além de Tebet, darão palanque ao pré-candidato do União Brasil ao Planalto, Luciano Bivar.

Pelo outro lado, os tucanos não devem apoiar os candidatos a governador do MDB em quatro estados: Amazonas, Santa Catarina, Roraima e Acre. Os únicos consensos entre as duas siglas estão em Alagoas, onde o PSDB deve endossar a candidatura de Paulo Dantas (MDB), e no Pará, em que tucanos darão apoio à reeleição de Helder Barbalho (MDB). Em ambos, porém, os dois sinalizaram que podem abrir espaço em seus palanques ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Dentro do PSDB, cresce a desconfiança de que Simone Tebet conseguirá se viabilizar como candidata e dirigentes já admitem um plano B para a aliança nacional. Para fugir da polarização entre Lula e o presidente Jair Bolsonaro (PL), os dois líderes nas pesquisas de intenção de voto, uma das possibilidades aventadas é se juntar a Ciro Gomes, do PDT, como alternativa de centro na disputa presidencial.

— Caso o MDB venha a retirar a candidatura de Simone, se o partido vier a falhar nisso, eu vejo grande possibilidade em caminhar com Ciro. Nesse cenário, o PSDB vai buscar uma alternativa de centro à população — disse ao GLOBO o secretário-geral do PSDB, Beto Pereira.

A aliança com Ciro é defendida pelo pré-candidato tucano ao governo de Minas, Marcus Pestana, que se incomodou com o apoio do MDB ao atual governador, Romeu Zema (Novo).

— O MDB está tão pouco preocupado com a candidatura de Simone que deu um tratamento desleixado, quase desrespeitoso, ao PSDB. A parceria tem que ser uma rua de mão dupla — diz Pestana.

Hoje, o nome mais cotado como vice na chapa de Tebet na disputa ao Planalto é o do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). No entanto, o próprio parlamentar não tem se mobilizado para manter a aliança devido às resistências dos dois partidos a cederem nos estados.

“Fogo amigo”

Internamente, a candidatura de Simone Tebet é alvo de ofensiva de uma ala do MDB encabeçada pelo senador Renan Calheiros (AL), aliado de Lula. O grupo, composto por representantes de 11 diretórios estaduais, defende a retirada do nome da senadora da disputa presidencial devido ao seu mau desempenho nas pesquisas eleitorais. De acordo com o último Datafolha, a emedebista tem apenas 1% das intenções de voto.

Renan afirmou publicamente que vai recorrer à Justiça para postergar a convenção do MDB, marcada para a próxima quarta, a fim de dar mais tempo para o partido discutir a viabilidade de uma candidatura própria.

— Nosso problema é interno. O PSDB já retirou seu candidato sem competitividade e quer mandar o custo para o MDB. Precisamos fazer o mesmo — disse Renan.

Ao tratar da mobilização do grupo contrário à sua candidatura, em evento em São Bernardo do Campo, Simone rebateu a tentativa de levar o MDB para a campanha de Lula.

— Esses caciques são sempre os mesmos. São aqueles que tiveram no passado com o Lula, foram ministros dele. Vejam a fotografia. Ela tem cheiro de naftalina e remete aos mesmos erros do passado — afirmou ela.

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