Terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 16 de fevereiro de 2026
Com longas horas de festa, desgaste físico, alto consumo de álcool, pouco sono e muito calor, o Carnaval cria, para o coração, um cenário quase perfeito de bagunça. Mesmo em pessoas sem histórico de doença cardíaca, episódios de arritmia podem surgir após períodos de excessos, uma condição informalmente chamada de síndrome do coração de feriado.
O quadro acontece quando, após episódios de consumo elevado de álcool em pouco tempo — como é comum em festas prolongadas, não apenas no Carnaval —, o coração passa a bater de forma irregular. O tipo mais frequente de arritmia observado é a fibrilação atrial, um ritmo cardíaco rápido e desorganizado que pode surgir mesmo em quem não tem doença cardíaca prévia.
Por que isso pode acontecer mesmo em quem é saudável? O principal mecanismo da condição está no efeito do álcool sobre o sistema elétrico do coração, que pode desencadear arritmias após a ingestão de grandes quantidades em um curto espaço de tempo.
Outro fator é misturar bebida com energéticos. “A cafeína e a taurina aceleram o coração e aumentam a pressão arterial, enquanto o álcool desidrata o corpo e bagunça os eletrólitos. Além disso, o energético mascara o efeito do álcool, fazendo a pessoa beber mais sem perceber. Essa mistura é uma bomba para o ritmo cardíaco”, aponta Camilla Rachid, cardiologista da Afya Unigranrio e médica de esporte.
Outros gatilhos são desidratação, privação de sono, estresse físico e emocional, alterações nos níveis de eletrólitos. “Tudo isso junto deixa o coração mais, digamos, irritado e propenso a entrar em arritmia”, diz a médica.
O que é diferente no coração feminino? Mulheres precisam ficar atentas, segundo Rachid, pois a mesma quantidade de bebida pode exercer efeito mais forte no corpo feminino. As usuárias de anticoncepcionais hormonais também por ter fatores que elevam a sensibilidade ao estresse cardiovascular. “Em algumas, esses medicamentos influenciam pressão arterial, retenção de líquidos e alterações hormonais que, somados ao álcool e ao desgaste físico, podem aumentar as chances de arritmia”, afirma.
Os sinais de alerta que não podem passar batido são:
– Palpitações fortes ou persistentes;
– Coração acelerado ou irregular;
– Falta de ar;
– Tontura ou sensação de desmaio;
– Dor no peito.
“Se esses sintomas durarem mais que alguns minutos ou forem acompanhados de mal-estar significativo, é hora de buscar ajuda médica”, recomenda Rachid.
Diagnóstico e prevenção
O diagnóstico da síndrome do coração de feriado começa pela anamnese, com atenção ao relato recente de consumo de álcool e ao surgimento dos sintomas. O exame mais importante é o eletrocardiograma, que permite identificar a arritmia. A depender do quadro, a médica pode solicitar testes de sangue para avaliar eletrólitos, função renal e marcadores cardíacos, além de ecocardiograma e monitorização cardíaca contínua, como o Holter.
Para curtir o Carnaval com menos risco, a cardiologista orienta intercalar o consumo de álcool com água, evitar grandes quantidades de bebida em curto período, não misturar álcool com energéticos, alimentar-se adequadamente antes e durante a festa, procurar manter um mínimo de regularidade no sono e, sobretudo, respeitar os sinais do próprio corpo. “Dá para se divertir, sim, mas o coração também precisa de cuidado”, diz Rachid. As informações são da revista Marie Claire.
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