Segunda-feira, 20 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 19 de abril de 2026
As Forças Especiais dos EUA derrubaram o ditador Nicolás Maduro, da Venezuela, de forma rápida e pública. Desde então, as pessoas que o mantiveram no poder estão sendo eliminadas da estrutura do regime gradualmente e de forma discreta. Algumas foram demitidas ou detidas, e outras vivem olhando por cima do ombro, com medo de serem as próximas.
Oligarcas próximos à família de Maduro foram retirados de suas casas. Seus aliados políticos foram sumariamente destituídos de seus cargos. Seus parentes foram afastados de negócios e impedidos de aparecer na mídia.
A limpeza está sendo conduzida pela ex-vice de Maduro, Delcy Rodríguez, que está liderando o país tutelada pelo governo Trump. As detenções e as expulsões na liderança ocorreram sem explicação pública, mas frequentemente com a aprovação —e, às vezes, por insistência— da Casa Branca, segundo pessoas próximas ao regime.
Depois que Maduro foi capturado à força em janeiro e levado para uma prisão em Nova York, Delcy se apresentou como uma substituta relutante e temporária de um líder deposto, denunciando sua captura como um ataque ilegal ao seu país. Mas agora, com a saída de Maduro, ela está desmantelando seu círculo de poder e embarcando na maior redistribuição de poder na Venezuela em décadas.
A reformulação da liderança nacional, combinada com novas leis abrangentes e sua aliança com o presidente Donald Trump, está remodelando a Venezuela e sua gestão de uma das maiores reservas de petróleo do planeta, justamente quando o mundo enfrenta a turbulência energética causada pela guerra no Oriente Médio.
Nos três meses desde a captura de Maduro, Delcy trocou 17 ministros, substituiu comandantes militares e nomeou novos diplomatas. Ela também supervisionou a detenção de pelo menos três empresários ligados a Maduro, demitiu vários de seus parentes e excluiu a maior parte de sua família dos contratos de petróleo.
Para os seus lugares, ela nomeou seus próprios partidários ou apoiou empresários ligados a ela, ao mesmo tempo em que abriu as portas para investidores americanos nos setores de petróleo e mineração. As mudanças trouxeram pouca transparência ou pluralismo a um regime que continua autoritário. A oposição venezuelana afirma que, em vez de devolver a democracia ao país, Delcy está consolidando seu poder.
Mas ela dificilmente está tomando todas as decisões sozinha. Após capturar Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma demonstração avassaladora de força, o governo Trump ameaçou atacar a Venezuela novamente caso os novos líderes se recusassem a cooperar. Vários funcionários venezuelanos de alto escalão e pessoas ligadas à administração compararam a liderança de Delcy a governar com uma arma apontada à cabeça.
Delcy agora está usando essa ameaça de coerção dos EUA para ir atrás de figuras influentes do partido no poder que antes eram consideradas intocáveis. O resultado foi uma vitória política para Trump e para ela, permitindo que autoridades americanas acertassem contas com aliados de Maduro que os haviam desafiado, ao mesmo tempo em que consolidavam a liderança da atual líder.
A transformação da Venezuela de adversária dos EUA para um protetorado tem sido de tirar o fôlego para a maioria dos venezuelanos. Pesquisas mostram que uma grande maioria dos venezuelanos acolhe com satisfação o fim do reinado autocrático de Maduro, que ele impôs por meio da violência, da corrupção e da fraude eleitoral desde que substituiu Hugo Chávez, morto em 2013.
Muitos também permanecem céticos em relação a Delcy, uma funcionária de longa data do Partido Socialista no poder que nunca ocupou um cargo eletivo. Mas para os amigos, parceiros de negócios e companheiros do partido governista de Maduro, o novo cenário político trouxe consigo um turbilhão desconhecido de ansiedade e perigo.
Mais de doze pessoas conversaram com o New York Times sob condição de anonimato, temendo represálias. Alguns disseram ter sido colocados sob vigilância pela polícia secreta da Venezuela desde a destituição de Maduro. Outros afirmaram ter tentado ficar longe de Caracas, a capital, e ter considerado o exílio.
O regime venezuelano não respondeu às perguntas para esta reportagem. A porta-voz da Casa Branca Anna Kelly disse que o governo Trump mantinha uma relação mutuamente benéfica com o governo de Delcy.
“Estamos lidando muito bem com a presidente Delcy Rodríguez”, disse Kelly. “O petróleo está começando a fluir, e grandes quantias de dinheiro, que não se viam há muitos anos, em breve ajudarão muito o povo da Venezuela.”
As pessoas que saíram perdendo com a queda de Maduro fazem parte de um grupo heterogêneo. Entre elas estão parentes de Maduro e de seu antecessor, Hugo Chávez, muitos dos quais acumularam grande riqueza nas quase três décadas de seus governos combinados.
Também estão incluídos empresários que devem suas fortunas a laços pessoais com os dois ditadores, bem como veteranos do movimento socialista formado por Chávez na década de 1990, que ficou conhecido como chavismo. (As informações são do jornal The New York Times)
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