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Política Sob pressão, o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles entrega o celular à Polícia Federal e diz querer “colaborar com as investigações”

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Ministra do STF atendeu a pedido protocolado por parlamentares depois que Salles deixou o cargo de ministro do Meio Ambiente. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Sob pressão por se tornar alvo de duas investigações no STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles entregou seu telefone celular à PF (Polícia Federal) nesta segunda-feira (7), segundo informações do jornal O Globo. Salles foi alvo de busca e apreensão na Operação Akuanduba, deflagrada há três semanas, mas na ocasião os investigadores não conseguiram apreender seu aparelho.

Ao entregar o celular, a defesa de Salles informou à PF que ele está à disposição para “colaborar com as investigações”. Os advogados do ministro enviaram uma petição ao ministro do STF Alexandre de Moraes informando sobre a entrega do celular.

Na Operação Akuanduba, a PF cumpriu busca e apreensão no Ministério do Meio Ambiente e esperava apreender o celular de Salles lá. Mas, segundo a colunista Bela Megale, de O Globo, o ministro alegou que não estava com o aparelho no momento da busca, por isso o celular acabou não sendo apreendido.

Salles é investigado nessa operação sob suspeita de facilitar a exportação ilegal de madeira do Brasil para os Estados Unidos e Europa. Em um outro caso, sob relatoria da ministra Cármen Lúcia, ele é suspeito de atuar para obstruir as investigações da PF contra desmatamento ilegal na Amazônia.

Na semana passada, Cármen Lúcia determinou a instauração de inquérito contra Sales, pela suposta prática dos delitos de advocacia administrativa, obstar ou dificultar a fiscalização ambiental e impedir ou embaraçar a investigação de infração penal que envolva organização criminosa. A ministra atendeu a pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República).

Segundo a PGR, circunstâncias relativas à suposta ocorrência de práticas delituosas expostas na Operação Handroanthus, da PF, que resultou na apreensão de cerca de 200 mil metros cúbicos de madeira extraídos ilegalmente por organizações criminosas, tornam indispensável o aprofundamento da investigação.

Ao deferir o pedido, a ministra observou que os fatos narrados, em tese, e conforme destacado pelo Ministério Público, podem configurar práticas delituosas e precisam ser investigados, a fim de apurar a veracidade e a autoria dos eventos mencionados na notícia crime veiculada pelo delegado de Polícia Federal Alexandre Silva Saraiva.

Cármen Lúcia deferiu, ainda, as diligências requeridas pelo Ministério Público para a oitiva dos proprietários rurais e dos agentes de fiscalização do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e do Departamento de Polícia Federal relacionados à operação, a requisição de cópia digitalizada da integralidade dos procedimentos de fiscalização e investigação relativos aos ilícitos ambientais e a inquirição de Ricardo Salles na condição de investigado. A PF terá 30 dias para concluir as diligências.

Na sexta-feira (4), a ministra Cármen Lúcia determinou a inclusão do presidente afastado do Ibama, Eduardo Bim, como investigado, juntamente com Ricardo Salles, no inquérito. As informações são do jornal O Globo e do STF.

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