Terça-feira, 29 de setembro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Brasil Sobretaxa dos Estados Unidos vai afetar 1/3 das exportações brasileiras de aço e pode frear a recuperação de siderúrgicas

Compartilhe esta notícia:

Em declarações anteriores, presidente disse que não tinha conhecimento sobre o caso. (Foto: Reprodução)

A sobretaxa ao aço importado anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai afetar em cheio as siderúrgicas brasileiras. O Brasil é o segundo maior exportador de aço para os EUA e as vendas para o país representam um terço das exportações brasileiras do produto.

O presidente Trump afirmou que a intenção é elevar as taxas em 25% para aço e em 10% para alumínio comprado de empresas estrangeiras. Ele recorreu à seção 232, um dispositivo voltado para investigar se produtos importados colocam a segurança nacional dos EUA em risco. A iniciativa, que deve ser oficializada na semana que vem, vai afetar todos os produtos exportados pela indústria siderúrgica ao país, explicou Alexandre Lyra, presidente do conselho diretivo do Instituto Aço Brasil, entidade que representa a indústria siderúrgica.

Ele lembra que o setor teve o pior desempenho da história em 2016 e iniciou uma recuperação em 2017, puxado pela retomada da atividade na indústria automotiva. As siderúrgicas, no entanto, ainda operam com 35% de capacidade ociosa. Entre as empresas, o impacto será sentido de forma diferente, explica Renato Maruishi, analista de siderurgia e mineração do Santander. A CSN e as multinacionais que fazem negócios com unidades dos EUA perderão negócios. A Usiminas sentirá um efeito reduzido sobre suas vendas, enquanto a Gerdau pode se beneficiar.

O Brasil produz 35 milhões de toneladas de aço bruto e, destes, 15 milhões são exportados – um terço para os EUA. O peso dos EUA é maior entre os produtos semimanufaturados – eles compraram 53% do total exportado pelo Brasil em janeiro deste ano. Lyra explica que 80% do aço que segue para o país é semiacabado, ou seja, um produto que é processado novamente por siderúrgicas americanas até chegar ao seu cliente final, como as montadoras.

O representante das siderúrgicas diz que o país não consegue exportar produtos finais justamente porque já está em vigor uma medida antidumping contra o aço acabado brasileiro. Isso significa que os EUA consideram que o produto chega com preços anticompetitivos e impõem uma sobretaxa a eles. A medida em discussão agora seria uma nova taxa, aplicada a todos os tipos de aço.

A exportação de aço para os Estados Unidos vinha crescendo ano a ano, tanto em volume quanto em produção. “Essa exportação estava crescendo por conta do aumento da competitividade do aço do Brasil”, afirmou o consultor Welber Barral, consultar e ex-secretário de comércio exterior do Brasil.

Excesso de oferta e queda de preços

Se Trump for adiante no seu plano de sobretaxar o aço, os preços internacionais do produto deverão cair, estimam os especialistas. “Todos os fabricantes do mundo vão tentar mercados alternativos. E haverá excesso de oferta fora dos EUA. E, lá nos EUA é o contrário: vai subir o preço no mercado local”, estimou Lyra.

Mirou na China, acertou no Brasil

Desde sua campanha eleitoral, Trump tem criticado a presença de produtos importados pela China nos EUA e defendido medidas de proteção à indústria americana. Mas por que ele tributou o aço se a China é apenas o 11º no ranking de exportadores do produto para os EUA?

É comum no comércio internacional que exportadores tentem driblar restrições ao produto importado de seu país. Eles levam o produto para outra localidade e podem até fazer algum incremento pontual, mas o verdadeiro objetivo é mudar a sua origem e fugir de taxações extra – essa prática é conhecida como “circunvention”. “Os americanos suspeitam que outros países ‘maquiam’ as exportações da China. Não posso falar por todos, mas no caso do Brasil não é verdade. O aço brasileiro exportado para os EUA é fabricado no Brasil”, disse Lyra.

Carvão é carta na manga

As autoridades de diferentes países já estão se organizando para tentar reverter a decisão de Trump. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Marcos Jorge de Lima, admite que o Brasil questione os EUA na OMC (Organização Mundial de Comércio) sobre a questão. Antes disso, explica o representante da indústria siderúrgica, o Brasil vai tentar uma nova cartada. Ele diz que as siderúrgicas brasileiras importam US$ 1 bilhão por ano em carvão americano para mover seus fornos. “Nossas cadeias são complementares”, ressaltou.

Com esse argumento, eles vão pedir para o Brasil ficar de fora da sobretaxa ao aço. “Se não der certo, vamos tentar abrir um painel na OMC.” A repercussão no mercado de aço não impede que cada país decidir impor uma retaliação aos EUA, afirmam os analistas. “Você pode ter outro impasse. Começar a ter retaliações comerciais contra os EUA, da China, Coreia do Sul, Rússia, Canadá”, disse o consultor Barral.

tags: Brasil

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

O Tribunal de Contas do Estado suspendeu concursos públicos da Brigada Militar
Criminosos fazem cordão humano com reféns e explodem agência bancária no Vale do Taquari
Pode te interessar