Sexta-feira, 29 de maio de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Mundo Soldados na Ucrânia recorrem a drogas para suportar a guerra

Compartilhe esta notícia:

Nos dois lados do front da guerra na Ucrânia, soldados recorrem ao uso de drogas para suportar os desafios do conflito. (Foto: Reprodução)

Nos dois lados do front da guerra na Ucrânia, soldados recorrem ao uso de drogas para suportar os desafios do conflito, que já entrou no quinto ano. À medida que os combates se prolongam, o vício e a automedicação se tornam um problema crescente, embora amplamente negligenciado.

As substâncias químicas servem para tratar as dores dos ferimentos, evitar o sono, suprimir o medo ou simplesmente continuar funcionando.

“Guerra significa braços e pernas arrancados. São intestinos, mau cheiro e sujeira no corpo. Você se urina, você se suja. É um estado emocional extremamente difícil”, relata Dmytro, oficial ucraniano e dependente em recuperação. “Uma pessoa que nunca usou nada na vida acaba usando ali.”

Do lado ucraniano, muitos soldados servem desde o início da invasão em larga escala, em 2022. Com recrutamento insuficiente e sem plano de desmobilização, eles permanecem por longos períodos na linha de frente, frequentemente sem descanso.

Stanislav, que atuou na contraofensiva ucraniana em Zaporíjia de 2023 a 2024, não aguentou. Ele desertou a sua unidade há dois anos e, desde então, vive escondido, enquanto tenta se recuperar do abuso de substâncias. “Quando você está sob efeito da metadona, consegue esquecer um pouco. Não é que você ganhe ‘força’. É mais que você consegue se distanciar daqueles horrores e daquela ansiedade constante.”

As drogas sempre fizeram parte da guerra. A Alemanha nazista distribuiu milhões de comprimidos de metanfetamina às tropas durante a Segunda Guerra Mundial.

Já as Forças Armadas dos Estados Unidos forneceram estimulantes aos recrutas por décadas, da Segunda Guerra, passando pelo Afeganistão e até o Iraque. Durante a guerra no Vietnã, até 15% dos soldados americanos usaram heroína – não para melhorar o desempenho, mas para lidar com os efeitos da guerra.

Por sua vez, os soldados ucranianos – em grande parte, relativamente jovens – vêm recorrendo tanto a estimulantes quanto a opioides variados. Para especialistas, a dependência química poderá, inclusive, acompanhá-los após um eventual fim dos confrontos.

“Na história recente, nenhum Exército lutou por quatro anos sem rodízio. Essas pessoas voltam com a bioquímica alterada. E não se interessam mais por nada: nem família, nem casa, nem trabalho, nem carreira,” afirma Ihor Alferow, psicoterapeuta com mais de 20 anos de experiência no tratamento da dependência química.

Na guerra, ele também atua como capelão militar, apoiando tropas e trabalhando com soldados que enfrentam abuso de substâncias. “Eles se acostumaram ao perigo. A droga ‘amortece’ essa parte. E então isso vira um problema.”

Traumas múltiplos

Tradicionalmente, a exposição a múltiplos traumas leva soldados à síndrome de dor intensa, que não são resolvidas por medicamentos comuns. A solução, então, se torna a busca por meios alternativos para controlar a dor e voltar ao combate.

Para Dmytro, tudo começou depois do primeiro ferimento em combate, quando ele foi atingido no braço. “Recebi injeções de analgésicos. E os analgésicos me faziam sentir muito bem. Quando tive alta do hospital, me senti mal. Voltei ao serviço, e me senti mal. Você precisa encontrar alguma coisa, precisa dar um jeito. Comecei a tomar Prinagolin. Um analgésico.”

Mais tarde, ele recorreria à metadona, que circulava clandestinamente entre as tropas por ele comandadas. “Eu sabia que a metadona também é um analgésico, só que com outro efeito. Comecei a tomar dois, três comprimidos e, aos poucos, cheguei a um ponto em que já não conseguia mais me controlar.”

O estresse do combate, associado à falta de apoio em saúde mental, está também por trás do aumento do uso de substâncias documentado pela Health Solutions, uma organização que pesquisa o uso de drogas tanto na vida civil quanto no meio militar.

“Mesmo nos casos em que são gravemente feridos, hospitalizados e tratados, os militares continuam com dores mal controladas, além de sintomas de Transtorno de Estresse Pós-Traumático e outras condições psicológicas que exigiriam uma combinação de tratamento médico, farmacológico e psicoterapia,” diz a diretora-executiva da organização Victoriia Tymoshevska. As informações são da emissora internacional de notícias da Alemanha Deutsche Welle.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Mundo

Deixe seu comentário

Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

0 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Lista de deportação dos Estados Unidos tem 17 mil brasileiros
Funcionário do Google é acusado de usar dados internos para lucrar 1,2 milhão de dólares em site de apostas
Pode te interessar
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x