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Acontece Solo mal coletado, lavoura mal nutrida

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Pesquisa e tecnologia se unem para revelar o que está escondido sob a superfície e transformar a coleta de solo em ferramenta de precisão.

Foto: Divulgação.

A coleta de solo, muitas vezes tratada como tarefa rotineira, pode ser o divisor entre uma safra de alta produtividade e uma recomendação agronômica equivocada. O alerta vem de especialistas e produtores que enxergam na amostragem estratificada não apenas um avanço técnico, mas uma revolução silenciosa na agricultura de precisão.

“Não basta retirar terra da lavoura. É preciso revelar o que acontece no perfil do solo, da superfície até os 40 centímetros”, afirma Evandro Martins, produtor rural e presidente do Grupo J2M. Para ele, a diferença entre exatidão analítica e representatividade da amostra é o ponto crítico: “O laboratório entrega números corretos, mas se a amostra não representa a área, a recomendação pode ser um tiro no escuro”.

Misturar profundidades distintas pode mascarar problemas sérios. “Valores médios escondem contrastes relevantes. É como olhar para uma fotografia borrada: você vê a imagem, mas perde os detalhes que fazem a diferença”, explica o pesquisador José Eloir Denardin, parceiro científico do Grupo J2M.

O impacto é direto no sistema radicular. Uma camada superficial fértil pode ocultar restrições em subsuperfície, como acidez elevada ou alumínio tóxico. “Se a raiz encontra barreiras químicas, ela não aprofunda. Isso reduz o acesso à água e nutrientes em períodos críticos de seca”, reforça Denardin.

Para enfrentar o desafio, o Grupo J2M desenvolveu um amostrador capaz de extrair o perfil contínuo de 0 a 40 cm sem arraste entre subcamadas. “O diferencial técnico é permitir a obtenção de uma amostra contínua, que depois pode ser fracionada em profundidades específicas”, destaca Martins.

Na era da agricultura de precisão, a qualidade da informação é tão importante quanto a tecnologia embarcada nas máquinas. “Não se trata de coletar mais solo, mas de melhorar a qualidade da informação”, conclui Martins. (por Gisele flores – gisele@pampa.com.br)

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