Quarta-feira, 16 de setembro de 2026

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Saúde Sono e alimentação são “termômetros” da saúde mental, dizem especialistas

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Dormir pouco e mal e abusar de alimentos que trazem algum "conforto" são costumes que não colaboram na busca por equilíbrio. (Foto: Magnific)

Uma noite mal dormida pode iniciar um ciclo em que o cansaço reduz a energia e a disposição, levando à busca por alimentos que proporcionam conforto e a escolhas menos equilibradas. Sono, alimentação e saúde mental estão diretamente relacionados e influenciam a memória, a concentração e a estabilidade emocional.

Para o psiquiatra Arthur Guerra, sono e alimentação são importantes “termômetros” da saúde mental. Alterações persistentes nesses aspectos podem indicar que algo não está bem.

Sono

Durante o sono, o organismo realiza processos importantes para o funcionamento cerebral, incluindo mecanismos relacionados à memória, ao aprendizado e à regulação emocional.

Segundo o médico da família Marcelo Gobbo, existe uma relação de mão dupla: a saúde mental pode alterar o sono, enquanto a privação de sono também pode afetar a saúde mental. Dormir pouco pode aumentar a impulsividade e a irritabilidade, além de alterar o apetite.

Entre os sinais de sono insuficiente estão:

* Irritabilidade;
* Dificuldade de concentração;
* Problemas de memória;
* Sonolência durante o dia;
* Sensação de não ter descansado mesmo após dormir.

A necessidade de sono varia entre as pessoas, mas a maioria dos adultos precisa de aproximadamente sete a nove horas por noite. A qualidade do descanso e seus efeitos durante o dia também devem ser considerados.

Tanto dormir pouco quanto dormir demais podem representar uma sobrecarga para o organismo e estar associados a consequências cardiovasculares.

A insônia também merece atenção. Ela pode envolver dificuldade para adormecer, despertares durante a noite ou acordar antes do horário desejado e não conseguir voltar a dormir. Segundo Guerra, a insônia pode estar relacionada ao desenvolvimento de depressão.

Outro fator que interfere no descanso é o uso excessivo de telas. Celulares, computadores e outros dispositivos podem ocupar o período destinado ao sono, especialmente entre adolescentes.

Alimentação

A alimentação também está diretamente relacionada ao sono e ao bem-estar. Uma rotina alimentar desorganizada pode afetar a disposição e o funcionamento do organismo.

Em períodos de estresse e ansiedade, a comida pode assumir uma função emocional. Alimentos muito saborosos, como chocolate, podem proporcionar uma sensação imediata de prazer e conforto, favorecendo seu consumo em momentos de tensão.

A nutricionista Priscilla Hardt destaca a relação entre intestino e cérebro. Uma alimentação adequada fornece energia e nutrientes necessários ao organismo, enquanto a qualidade e a regularidade das refeições ajudam a evitar grandes oscilações de energia ao longo do dia.

Alimentos ultraprocessados e ricos em carboidratos simples podem provocar uma elevação mais rápida do açúcar no sangue, seguida por queda de energia e indisposição. Já carboidratos complexos tendem a liberar energia de forma mais gradual.

Álcool e café também exigem atenção. O álcool atua como depressor do sistema nervoso central e pode provocar desidratação e mal-estar. O café, por ser estimulante, pode ser consumido moderadamente, mas o excesso pode causar taquicardia e dificultar o relaxamento.

Corpo e mente

Estresse, sono e alimentação formam um ciclo. O estresse pode prejudicar o sono, enquanto uma noite mal dormida pode aumentar a irritabilidade e alterar o apetite.

Isso não significa, porém, que alimentação e sono sejam uma solução para transtornos mentais. Hábitos saudáveis contribuem para o bem-estar e podem fazer parte de uma estratégia de prevenção e cuidado, mas não substituem acompanhamento médico ou psicológico quando existe um problema de saúde mental.

Para os especialistas, é importante deixar de enxergar corpo e mente como partes separadas. Uma boa noite de sono não resolve sozinha uma crise de ansiedade, assim como uma alimentação equilibrada não substitui um tratamento. Entretanto, cuidar desses hábitos pode ajudar o organismo a lidar melhor com as exigências físicas e emocionais do cotidiano. (Com informações do jornal O Globo)

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