Segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 2 de junho de 2015
A Suíça estima que as provas apresentadas pelos EUA ao solicitarem a prisão do ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) José Maria Marin seriam suficientes para “motivar uma extradição”. Na quarta-feira (27 de maio), Marin foi um dos sete cartolas presos em Zurique, acusado pelo FBI (polícia federal norte-americana) de corrupção e envolvimento em um esquema que movimentou 150 milhões de dólares (423,7 milhões de reais).
“Na base da descrição fornecida pelos EUA no pedido de prisão, o Departamento de Justiça estimou que os fatos denunciados, a priori, poderiam motivar uma extradição”, indicaram as autoridades policiais suíças. O Departamento da Justiça da Suíça recebeu o pedido de extradição seis dias antes da operação. No dia 22 de maio, os advogados do governo passaram a examinar os documentos sobre Marin e confirmaram que existiam indícios suficientes para realizar sua prisão e a extradição para os EUA.
Para tentar evitar sua transferência aos EUA, Marin contratou um advogado suíço especialista em crimes financeiros e cooperação internacional. As autoridades suíças dificilmente darão autorização para um eventual pedido para sua liberdade provisória. Apesar de ter 83 anos, Marin não tem propriedades na Suíça e o governo insiste que existe o “risco de fuga”.
O governo norte-americano tem até o dia 3 de julho para substanciar o pedido de extradição, com novos documentos e a base legal. Se Marin recorrer, o caso pode tramitar por cerca de seis meses. Nesse período, ele poderia até mesmo pedir para trabalhar na prisão de Zurique. Marin tem permissão para sair da cela uma vez por dia e tem uma alimentação “padrão”, com legumes, arroz e carne.
Trajetória de um alcagueta
José Maria Marin, presidente da CBF entre 2012 e 2014, iniciou a carreira política pouco antes do golpe militar, em 1964, como vereador pelo PRP, em São Paulo (SP). Em 1966, Marin migrou para a Arena, partido que deu sustentação ao regime militar. Deputado estadual, em 1975 ele foi alcagueta ao usar a tribuna da Assembleia para denunciar a “infiltração comunista” no departamento de jornalismo da TV Cultura, então dirigido pelo jornalista Vladimir Herzog. Quinze dias depois, Herzog foi preso e assassinado pelo DOI-Codi. (Jamil Chade/AE e Abr)
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